Análise: Beholder

Beholder foi um jogo que recebi e fui adiando jogar. Não me suscitava o interesse que outros que também recebi suscitaram, mas a realidade é que depois de lhe pegar a opinião com que fiquei não podia ser melhor. Beholder é um jogo difícil de classificar. É uma aventura, um jogo de estratégia e mais um ou dois sub-géneros tudo junto. O jogador controla o pai de uma família numa distopia que remete para os países soviéticos. Aqui a liberdade é pouca ou nenhuma e a nossa função não é fácil.

Depois de sermos injetados com uma droga que nos retira a necessidade de dormir, somos encarregados de gerir um prédio e os seus habitantes. O objectivo é numa primeira fase encontrar comportamentos e objectos que sejam proibidos pelo estado nos habitantes do prédio para reportar ao mistério e assim expulsá-los para serem presos. Isto por si não é propriamente a coisa mais moralmente correcta para se fazer, mas este é apenas o ponto de partida.

Quando chegamos ao apartamento vemos o antigo inquilino a ser preso, portanto o trabalho não parece muito fácil. As primeiras tarefas mostram-nos o básico do jogo, colocar câmaras e expiar os vizinhos para vermos se fazem algo de errado. Obviamente num regime destes são poucos os que vivem confortavelmente e a nossa família tem também dificuldades em comprar roupas e comida, portanto arranjar dinheiro é também uma prioridade.

Começamos por colocar câmaras quando os vizinhos não estão em e falar casualmente com todos os vizinhos para saber o que tem a dizer uns dos outros. Diariamente recebemos também novas regras do estado. A partir do primeiro dia as maçãs estão proibidas por exemplo e no dia a seguir são todos os livros de um certo autor. Tudo isto vai somando e convém ir decorando algumas destas regras.

Depois desta fase começamos a receber pedidos dos nossos vizinhos como encontrar um par de óculos que se perderam por exemplo, ao mesmo tempo que alguém na família fica doente e precisamos cada vez de mais dinheiro. Para o ministério temos de analisar todos os vizinhos e criar relatórios para que o ministério nos diga como proceder. Mas o factor moralmente ambíguo do jogo vai aumentando. No inicio apenas tínhamos que fazer o que o governo corrupto e autoritário nos mandava. Podia ser mau mas era o nosso trabalho e pagava as contas. Mas quando o dinheiro aperta vemos que podermos ser ainda mais corruptos e temos que o ser para sobreviver. Se precisaram de bem mais dinheiro do que aquele que têm para uma operação, porque não encontrar ilegalidades num vizinho apenas para pedir um suborno para não chamar a policia? E se não encontrar-mos provas, porque não plantar algumas.

Uma das razões porque jogamos é para ser alguém diferente e seja um herói de ação, um jogador de futebol, um líder militar ou um funcionário de uma distopia corrupto, o que interessa é que tenha boas mecânicas e seja divertido e Beholder tem tudo isso juntamente a um estilo visualmente diferente e interessante que ficam na memória do jogador.

Tiago Roque

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