Análise: Ghost in the Shell

O clássico filme de animação niponico é um clássico que influenciou fortemente filmes como The Matrix. Com o poderio de Hollywood por traz e Scarlett Johansson no papel principal de Major, Ghost in the Shell versão Blockbuster é mais que um remake, sendo quase uma junção de elementos que vêm do filme original, mas também da sequela, série e até do manga original que deu origem a tudo isto.

Major é um andróide com cérebro humano num possível futuro onde o ser humano se tem melhorado através da tecnologia. Para quem viveu debaixo de uma rocha cinematográfica nos últimos 30 anos mas tem jogado bastante, o mais perto seria Deus Ex. O passado de Major é um grande mistério durante quase todo o filme, sendo a amnésia atribuída ao reajustamento depois da mudança de corpo e sendo a historia oficial de que Major seria filha de refugiados e que teria quase morrido a chegar ao país.

Apesar de a história se focar em Major e voltar sempre a ela, a historia começa com uma investigação a alguém que tem eliminado elementos importantes da Hanka Robotics e que tem hackeado robôs sem deixar rasto. Cedo descobrimos que não devemos confiar na Hanka Robotics e que as suas preocupações são apenas monetárias, falta no entanto perceber o porque de alguém estar a perseguir alguns elementos em particular e essa parte da historia deixo para quem for ver o filme.

Isto faz com que Ghost in the Shell seja uma mistura de filme de investigação, ficção cientifica e acção. Aquilo que tornou único o original foi a sua estética, mas também as questões que levanta sobre o futuro da humanidade. A personagem principal acaba por ser interessante e levantar as questões corretas, no entanto o filme acaba por deixar muito a desejar no que toca ao mundo que a rodeia e as personagens secundárias.

Enquanto que Major questiona a sua existência e aquilo que a torna humana, nenhuma outra personagem, com uma excepção, parece questionar o mundo em que vive e o impacto que a integração da tecnologia teve na sociedade. Isto não faz de Ghost in the Shell um mau filme e nem sequer acho que seja demasiado visual para pouca substância, mas algumas questões filosóficas sobre o tema poderiam ter sido introduzidas e mesmo que tornassem o filme alguns minutos mais longos este não ficaria a perder com isso. No geral o filme original acaba por ser superior em quase todos os aspectos, incluindo este.

O cuidado visual em Ghost in the Shell é um dos seus pontos mais fortes. Com uma inspiração bastante Blade Runner com a publicidade gigante projectada pela cidade, consegue mesmo assim ter uma alma própria com os peixes deixados como que easter eggs que nos relembra-nos que Major é um peixe fora de agua.

Tiago Roque

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