Análise: Subsiege

Subsiege é um RTS subaquático que não funciona em tantos elementos que fui adiando esta análise durante meses e meses. Um grande negativo para mim é que o jogo não tem uma campanha para um jogador, com foco principalmente em uma experiência multiplayer. Isto poderia não ser um problema gigante se a comunidade fosse grande o suficiente para poder entrar em qualquer altura do dia e ter uma lista de oponentes à espera. As poucas vezes que eu entrei no jogo para jogar online, não havia jogadores no lobby. Não estou a falar de não existirem jogadores suficientes para o jogo arrancar rapidamente ou algo do género. Estou a falar em não existir ninguém. Um deserto completo num jogo aquático.

Outra questão é que, em seu estado atual, ele possui apenas 10 unidades diferentes disponíveis para atacar ou defender a base. Essas unidades são as mesmas para cada jogador e facção. Tradicionalmente, os jogos RTS têm modelos de unidades diferentes para cada facção com habilidades semelhantes, mas diferentes. Em Subsiege, não existem tais facções. Isso não é necessariamente mau, porque torna o jogo mais equilibrado, mas acabará por diminuir o nível de interesse de muitos jogadores.


O ambiente do jogo é subaquático e o oxigénio é uma mercadoria a ser valorizada. Além de o jogador encontrar recursos como cristais e gás para ajudá-lo a construir sua base e novas unidades ofensivas, ele também precisa reabastecer seu fornecimento de oxigénio que diminui com o tempo. Este é uma mecânica de jogos que nunca vi em nenhum outro RTS. Normalmente neste género temos de reunir recursos para construir algo ou por vezes manter as nossas unidades, mas desta forma penso que é uma estreia.

Os poucos positivos no jogo são a sua interface e menus. O jogo acompanha as vitórias do jogador, e a classificão de acordo com todos os outros jogadores do mundo. Além disso, o tutorial é bem pensado e fácil de seguir. Mas ficamos-nos por aí. A originalidade fica-se pelo setting e a execução pela superfície e mesmo assim fica sempre no terreno do mediano. A jogabilidade é simples mas sem profundidade, os gráficos são medianos e por cada ideia que funciona existem umas dezenas que não passavam em qualquer tipo de teste de qualidade que a equipa devia ter feito.

E depois temos o preço. Neste momento os jogadores têm que pagar 27.99€ por um tutorial, pois não existe modo online a não ser que arranjem um grupo com quem jogar. Sei que dificilmente essa é a razão para o jogo não ter jogadores, mas se calhar vender o jogo a 9.99€ enquanto estivesse em acesso antecipado não era má ideia.

Tiago Roque

Leave A Comment