Análise: Sniper Ghost Warrior 3

A maior parte dos jogos é feita de influências e inspiração. Metade das mecânicas vêm daquilo que os criadores gostam de jogar e a outra metade vem das suas ideias, mas há alguns jogos que podiam passar por mods de outros jogos que os inspiraram, no caso de Sniper Ghost Warrior 3 este podia passar por um mod de Far Cry. Sniper: Ghost Warrior 3 é um shooter táctico na primeira pessoa. Os jogadores assumem o papel de um novo protagonista, que é enviado com seu irmão para destruir algumas armas da era da URSS antes que alguns terroristas possam adquiri-las. Em suas tentativas de infiltração, eles são impedidos por um dos vilões da história que leva o irmão prisioneiro e apenas poupa a vida de Jon, o nosso protagonista.

Narrativamente, os momentos de abertura do jogo são intrigantes o suficiente para garantir algum interesse na história. A história de dois irmãos juntos, depois separados, em um país estrangeiro e hostil é por si só emocionante, mas quase todos os aspectos do jogo ficam aquém. Depois de Robert ser feito prisioneiro e o jogo avançar alguns anos para a frente, Jon parece estar relativamente em paz com a ameaça de seu irmão. Apesar de a história em si ter potencial depois não parece ter repercussões nenhumas nas emoções das personagens e essa falta de qualidade na execução parece ser a linha que une todos os aspectos do jogo.

O SGW3 não é bonito e talvez para alguns não seja grande problemas, mas as texturas de baixa resolução são acompanhadas por aspectos menos toleráveis, incluindo vários elementos que não funcionam tão bem como devem. O reconhecimento do drone seria divertido, mas a habilidade do robô para marcar os inimigos no seu HUD é muito lenta e, às vezes, exige que o jogador fique perto dos alvos, derrotando a finalidade do dispositivo em primeiro lugar. O jogo também pretende convidar uma abordagem livre mas a IA é tão má que sempre que possível podemos simplesmente entrar a matar.

A evolução de um género é normalmente feita de pequenas melhorias entre sagas ou simplesmente jogos que partilham o mesmo género, Sniper Ghost Warrior 3 não faz nenhum dos dois. Não é melhor que os jogos que o antecederam seja na sua própria saga ou no género a que pertence. Não ter de ser original significa pelo menos aproveitar toda a inspiração possível e construir por cima para criar um produto que não sendo o mais original, é pelo menos melhor, mas Sniper Ghost Warrior 3 não é de todo melhor que Far Cry, muito pelo contrário, é inferior em todos os aspectos possíveis.

A estrutura das missão também é uma grande decepção. As missões laterais oferecem a estrutura padrão que é pelo menos igual para o curso com este género. As principais missões são onde o jogo realmente falha. Há 26 missões históricas, mas a maioria delas pode ser feita sem momentos ou emoção de destaque. Mais de uma vez, o jogo até chama isso de “missão” para dirigir do ponto A para o ponto B, com nada acontecendo no meio. A jogabilidade de condução é ainda pior, com tudo a parecer um esforço. Muitas vezes ao longo da história, depois de muitos minutos de primeira pessoa fraca temos de ir para outra zona e para isso temos a tedioso tarefa de percorrer um mapa vazio durante quase 10 minutos onde nada acontece. Se ao menos a condução fosse divertida tudo isto podia ser menos horrível, mas nem isso. Existem postos de controle nas missões, mas eles são muito longe na progressão. Um bom pormenor é poder viajar entre pontos instantaneamente, mas depois o jogo premeia-nos com um tempo de loading que só não demora tanto como a viagem porque as viagens em Sniper Ghost Warrior 3 demoram tanto como na idade média.

No fundo não há um único factor que redima Sniper Ghost Warrior 3. A história podia ser esse factor, mas as personagens impedem-na. A jogabilidade podia ser esse factor, mas execução impedia. Até o grafismo podia ser, mas a qualidade das texturas impede-o. No fundo Sniper Ghost Warrior 3 é uma lista de coisas que ficaram a meio numa tentativa de copiar Far Cry.

Tiago Roque

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