Análise: Liga da Justiça

Depois de 4 filmes a DC traz-nos o primeiro filme de sempre a mostrar no grande ecrã as principais caras do seu universo. Batman, Mulher-Maravilha e Super-Homem já eram conhecidos dos filmes anteriores mas o Flash, Cyborg e Aquaman aparecem aqui pela primeira vez. Depois de um Homem de Ferro razoável, um Batman VS Super-Homem demasiado confuso e a abarrotar de ideias que se misturam e um Mulher-Maravilhaque ao simplificar se tornou um filme realmente bom, era com ansiedade que fomos ver se a Liga da Justiça voltava às raízes dos dois primeiros filmes do DCEU ou continuava com o bom trabalho que Patty Jenkins tinha feito com Mulher-Maravilha.

Logo no início começamos a ter sinais de que regressámos ao estilo escuro de Snyder. O filme começa com Batman a fazer o seu trabalho de proteger Gotham e ficamos a saber que está a investigar um novo inimigo que consegue cheirar o medo. Depois disso todo o primeiro acto do filme é gasto a introduzir de forma demasiado apressada as três novas personagens e um pouco do passado de Steppenwolf, que diga-se é o pior vilão num filme da DC e provavelmente num filme de super-heróis. A Marvel já teve a sua quota parte de vilões descartáveis, mas nenhum foi tão genérico como este. Steppenwolf pode ser uma personagem super interessante na BD, mas este guerreiro imortal CGI que pouco mais do que bater nos heróis com o seu Machado de guerra é tudo menos memorável.

Como já referi, todo o filme parece apressado. As novas personagens aparecem e ficam em perigo bastante antes de o espetador ter tempo de criar qualquer tipo de ligação com elas. Este problema não se sente tanto com as outras personagens, porque cada uma teve direito a um filme, mas as novas são basicamente lançadas para o meio da ação. Tratando-se de um filme de apenas 2 horas, não há tempo para mais é mesmo o guião não sendo mau, simplesmente não há tempo para ninguém se destacar. Todas opções de casting são boas e todos eles estão bastante credíveis nos seus papéis, desde os que já conhecemos até Ezra Miller como Flash, Ray Fisher como Cyborg e Jason Momoa como Aquaman, mas simplesmente não nada aqui que lhes permita voar mais alto.

Em termos de aspecto também achei o filme genérico. Alguns enquadramentos parecem retirados de um episódio de TV. O excesso de CGI em praticamente tudo faz com que o filme pareça por vezes um episódio de uma série do Sci-fi Channel. Um pouco de menos cor que os filmes da Marvel eu percebo, mas um CGI fest que deixa tudo a parecer uma cutscene já acho demasiado. Depois temos o problema do bigode de Henry Cavill. Sinceramente tenho muitas dúvidas que se não soubesse da história não notasse na mesma que algo estava mal ali. Não há forma de não notar que aquele lábio superior foi colocado lá digitalmente.

Em termos de problemas a Lia da Justiça tem ainda um outro problema no tom. Não sei se foi a troca de directores que o causou ou simplesmente Snyder já queria um filmes mais leve, mas a realidade é que o filme não sabe se quer ser demasiado sério ou não e na grande maioria dos casos não fica no meio, há momentos de um lado e momentos do outro, mas sempre em extremos. O humor acaba por ser sempre fraco porque tudo o resto parece lutar sempre contra todo o humor e isso simplesmente não resulta. Mas há cenas que parecem vir de Whedon e essas notam-se pelo humor e tom e quando se isolam fica-se com a ideia de dois filmes completamente diferentes e pessoalmente, preferia o de Whedon. A Liga da Justiça acaba por ser um passo na direcção certa depois de Batman VS Super-Homem, mas é um passo gigante atrás de Mulher-Maravilha. A DC caminhou na direcção certa, mas apenas durante um filme.

Tiago Roque

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