Análise: Lionheart

Lionheart é uma novela gráfica com elementos RPG que recorre a estereótipos RPG para tudo o que oferece. Isso não quer dizer que seja um jogo intrinsecamente mau, a interação entre os personagens pode ser bastante divertida e, em níveis de dificuldade mais altos, as batalhas exigem que se faça uso de uma boa estratégia. Simplesmente não traz nada de novo para o género. O jogo começa com Leon Lionheart, o aventureiro inexperiente e Orsin, o antigo guerreiro mercenário, que chegou a uma nova cidade para explorar um labirinto mágico. Cedo são acompanhados por Justicar Maria Sinkirk, que necessita de jovens para aumentar a sua produção de feitiços. Sentindo que Leon pode ter algum poder, ela alista a ajuda desses dois. A interação entre as personagens é sem duvida o ponto forte do jogo. Mesmo nos momentos onde a história não oferece nada de especial, há sempre um diálogo bem escrito e divertido que nos distrai desses pormenores.

A história progride através de cutscenes do género visual novel, mas nunca nos faz esquecer o baixo orçamento do jogo. Saindo da progressão da história para o jogo real, temos um sistema de exploração e dungeon crawler que é um pouco divertido, mas o mais adequado para sessões de jogo curtas. Há um mapa do mundo com vários locais, como as masmorras ou os campos marcados para que o grupo possa explorar, seja para reunir materiais para equipamentos ou uma tarefa maior ou objetiva. Essas áreas são bastante formulaicas. Existem três maneiras de avançar, Rush, Normal e Cauteloso, cada uma é feito clicando no círculo correspondente. Com cada movimento, o jogador pode ganhar um item ou ter uma batalha aleatória, e algo sempre acontecerá.

Os veteranos do género RPG vão sentir-se em casa no sistema de batalha. O jogador pode ter três membros no grupo de batalha a qualquer momento, mas pode trocar personagens no início de cada turno. Alguns ataques usam pontos de habilidade que se regeneram lentamente entre as batalhas. A colocação da fila na frente e na retaguarda é um fator na seleção da formação, que obedece às regras básicas de resistência à frente e dano atrás. Existem três níveis de dificuldade, Casual, Normal e Heróico, e obedecem bem ao nome que têm. A dificuldade heróica duplica todos os danos recebidos e os danos causados, por isso não é apenas reforçar os inimigos mas ao tornar o jogador também mais poderoso não deixa o jogo mais difícil e frustrante, apenas mais táctico para que todas as acções sejam importantes.

Lionheart é um saco misto. Os modelos de personagem são um deleite para ver e algumas das animações de magias são bastante boas, e o uso de suas diferentes expressões faciais na caixa de diálogo ajuda a dar vida às personagens. No entanto os seus sistemas são básicos e falta-lhes originalidade nas suas mecânicas de jogo. A musica e apresentação restante não referida anteriormente são genéricas. Lionheart pode não ser mau, mas não nos apresenta nada que valha realmente a pena à maioria dos jogadores dada a quantidade de boas propostas no mercado.

Tiago Roque

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