Análise: Star Wars Episódio VIII Os Últimos Jedi

Depois de dois anos de teorias e um ano depois do primeiro Spinoff da maior saga do cinema que ainda é considerada Canon, Star Wars está de volta e na maioria do seus aspectos melhor que nunca. Ao bom estilo Star Wars a história não se passa exatamente a seguir à do filme anterior mas alguns dias ou semanas ou até anos depois disso. Antes de mais convém informar que dadas alguns aspectos que gostaria de referir nesta análise está irá conter spoilers, portanto convém verem o filme primeiro e depois sim vir discordar de mim.

Apesar de poder parecer, a vitória dos rebeldes no Despertar da Força não foi tão esmagadora como seria de esperar. Como já tinha acontecido na trilogia original, a destruição da principal arma da primeira ordem apenas atrapalhou os planos do líder Snoke, mas a força e poder da ordem manteve-se quase intacta. O filme começa com as forças rebeldes a serem descobertas e a terem de abandonar a sua principal base. Poe consegue distrair toda a armada da ordem e ganhar tempo para que todas as naves rebeldes abandonem o planeta. Ao fazê-lo consegue também abrir uma brecha nas defesas da armada que torna possível abater um Dreadnought. É ao aproveitar essa possibilidade que o filme consegue um dos melhores temas do filme, o preço da guerra. O objectivo é atingido mas o custo enfraqueceu mais os rebeldes do que a ordem. O realizador Rian Johnson consegue introduzir temas bastante fortes relacionados com a guerra como este é mais tarde sobre a economia da guerra é aqueles que lucram com os dois lados desta.

Os rebeldes conseguem fugir mas a ordem consegue segui-los mesmo através da velocidade da luz, algo que é inédito em Star Wars e que obriga a um plano de Poe que leva Finn e a nova personagem Rose a um planeta casino para encontrar um hacker que possa desligar momentaneamente o tracker que a ordem tem nas naves rebeldes. Este plano além de parecer demasiado rebuscado para funcionar num filme, acaba por ser um desvio que apenas atrapalha o filme. Não existe nada de realmente errado nesta sequência em si, mas prejudica demasiado o filme no global, sendo um exemplo perfeito de que nem sempre mais é melhor. O filme acaba por ter de transitar durante todo o seu segundo acto entre os rebeldes a serem perseguidos pelas forças da ordem e Finn e Rose a tentar encontrar o hacker e fugir de Canto Bight, o que estraga o ritmo do filme nestes momentos.

Não são apenas as forças da ordem que tem novos truques. Aquilo que mais cresce neste filme é o que sabemos sobre a força. Toda a mitologia do universo Star Wars cresce bastante com este filme. Não é aquilo que sabemos sobre Sith ou Jedi, mas sim sobre a força e aquilo que é possível fazer ao controlar essa energia. Se lado parece ter ficado definitivamente a conversa sobre os Midi-chlorian. Mesmo que ainda seja considerado Canon por causa das prequela, nenhum fã parece parece ter gostado dessa explicação nas prequelas e neste momento parece que a vontade é ignorar essa explicação no futuro como que algo que a ordem Jedi acreditasse e ou estivesse errada ou tenha sido conhecimento perdido na sua destruição.

Apesar de existir algum período de tempo entre este episódio é o anterior na maioria do filme, existe uma parte que segue examente o momento a seguir. O despertar da força deixou Rey a entregar a Luke o seu antigo sabre, neste filme vemos a reação de Luke, que não podia ser mais surpreendente ao simplesmente mandar o sabre do penhasco abaixo. É Luke para mim a maior surpresa de Os Últimos Jedi. Mark Hamill está no seu melhor enquanto Luke que se torna um pouco como o Yoda no Império Contra-Ataca, recluso na sua ilha, fechando-se da força e sem intenção de ajudar os rebeldes ou ajudar Rey no seu treino. Os paralelos entre o segundo filme da trilogia original são muitos e este é um dos principais. Apesar de tudo George Lucas sempre olhou para a história de Star Wars como uma saga que tinha como base o percurso do herói e que a história era cíclica, pelo que quem veio a seguir seguiu essa teoria e deixou muitos pontos de encontro com os filmes anteriores.

Como referi anteriormente, o entendimento que temos das possibilidades da força aumentou com este filme, principalmente sobre o plano da força. Anteriormente tínhamos visto como Yoda, Anikin e Obiwan tinham sobrevivido como fantasmas da força depois da sua morte ou aquilo que pareceu a sua morte, mas este aspecto nunca tinha tido muito foco. Mas aquilo que acontece em Os Últimos Jedi deixa algumas questões. Assim como o plano astral, o plano da força parece ser mais do que transpareceu nos primeiros filmes. Snoke conecta a mente de Rey e Kylo e numa dessas ligações Kylo trás algo de volta. Também todo o combate de Luke e Kylo é entre Kylo é uma projeção de Luke, que além de deixar transparecer o verdadeiro poder de Luke, mostra que é possível pelo menos criar algo sólido através da força e de uma distância imensa. É no final Luke entrega-se à força, sem se saber se foi pelo esforço que o acto requereu do seu corpo ou por vontade, sentido que o dever foi cumprido e estava na hora.

Estas novidades podem não agradar a todos os fãs da saga, especialmente aos leitores do antigo universo expandido, onde muita coisa já tinha sido quase que assente na pedra. Se por um lado a antiga aparente anarquia do universo expandido permitia bastante liberdade criativa aos escritores, limitava a liberdade criativa dos filmes e é realmente bom ver aparecer elementos novos nos filmes da saga. Algo que irá certamente fazer alguns olhos revirarem é a cena onde Leia usa a força. Já se sabia que Leia era sensível à força mas é a primeira vez que se vê até que ponto o é realmente. Durante um ataque da ordem e num momento brilhante em que Kylo sente a presença da mãe e não ataca com a sua nave, Leia é lançada para o espaço por uma explosão e usa a força para se puxar de novo para a nave rebelde. O momento pode não agradar a todos, mas é certamente um momento que faz pelo menos sentido.

Existem ainda dois momentos que foram para mim pouco satisfatórios. O impacto e escolhas de ambos os momentos são bastante relativos. Apesar de compreender e conseguir ver os prós e contras destas escolhas acho que preferia algo mais. O primeiros destes é a morte de Snoke. Se eram como eu e estavam à espera de uma grande revelação sobre as origens de Snoke, pelo menos em Os Últimos Jedi essa explicação não existe e Snoke morre graças à sua arrogância num momento vilão clichê depois de mostrar um poder e controlo da força que pareciam ir além do que o próprio imperador era capaz. O segundo momento é a revelação de Kylo sobre os pais de Rey. Novamente, se eram daqueles que estavam à espera de uma grande revelação, Kylo diz que os pais de Rey não eram ninguém, uns pobres desgraçados que a trocaram por ninharias. Novamente, tenho esperança que esta explicação seja corrigida no filme seguinte até porque acho que entra em conflito com algumas coisas que já conhecíamos mas não deixa de ser uma desilusão para mim. Mas ambos estes problemas são pormenores numa história maior e são subjectivos, pelo que nem sequer podem ser considerados problemas. Não

Portanto, depois de tudo isto somado, quando comparado com os restantes filmes da saga que vai já em 10 filmes, quão bom é Os Últimos Jedi? A verdade é que é realmente bom. É de longe melhor do que qualquer filme das prequelas, é melhor que Rogue One, Clone Wars e até que O Regresso do Jedi. Relativamente aos restantes já vamos estar a falar de comparações subjectivas que não nos levam a lado nenhum. É Star Wars no seu melhor é isso deve ser o suficiente para os fãs. É um verdadeiro tributo a Carrie Fisher que está muito bem no seu papel mais icónico e que além do sentimento de tristeza com que nos deixa por sabermos do seu recente falecimento, deixa-nos também com uma incógnita sobre o futuro da personagem porque Leia acaba o filme viva e a controlar uma aliança rebelde que está encostada contra a parede no seu último reduto. E quanto a isso é muito mais, voltamos a falar daqui a 2 anos.

Tiago Roque

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