Análise: Surf World Series

Surf World Series é provavelmente o primeiro jogo de Surf que jogo desde um jogo de desportos para a NES do qual já nem me lembro do nome. Não posso dizer que sou fã do desporto também. Sempre que aparecem imagens na TV mudo de canal porque me parece a coisa mais aborrecida de ver. O desporto em si acredito que tenha os seus pontos fortes, mas ver é deveras aborrecido. Em formato jogável, no caso de Surf World Series, o resultado fica também bastante aquém.

Não há nada de verdadeiramente mau no jogo, visualmente é razoável, a jogabilidade é agradável e tem bastante conteúdo incluído, no entanto não há absolutamente nada que eu possa dizer que valha mesmo a pena. Os visuais não são deslumbrantes e nenhuma das localizações reais presentes no jogo está recriada em grande detalhe. No geral tudo se resume a um mar mais agitado que outro e a direcção das ondas.

Não é fácil fazer um jogo de desporto actualmente. Jogos como os primeiros Tony Hawk já não nos trazem a mesma satisfação que em tempos trouxeram e Surf World Series, apesar de não ter exactamente a mesma forma de progressão, sofre de alguns dos mesmos problemas. Além disso, por muita variedade que os criadores do jogo possam colocar, não é possível conseguir o mesmo nível de variedade que os jogos que referi anteriormente. Enquanto que nesses jogo estamos a falar de zonas relativamente grandes que podiam ser recheadas de pormenores, em Surf World Series tudo se resume a pequenas zonas da costa que servem apenas como cenário e depois algumas ondas que temos de surfar. Por muito que o jogo se esforce por nos dar objectivos diferentes que nos obrigam a fazer todo o leque de truques que o jogo nos oferece, a realidade é que nada disso é realmente conteúdo extra, apenas uma ou duas coisas que demoramos algumas tentativas a conseguir. Mesmo nesse aspecto, a variedade é limitada, existindo algumas manobras que são um pouco mais complicadas ou que demoram mais tempo a carregar o medidor para as efectuar, mas tudo no jogo é demasiado simples, nunca oferecendo qualquer tipo de profundidade na jogabilidade. Existem ainda duas manobras de equilíbrio, uma pelo interior da onda e outra na crista, mas novamente, depois de as fazer uma vez tudo parece igual.

Falei até agora várias vezes na jogabilidade mas ainda não expliquei bem em que é que esta consiste. Como é óbvio tudo se resume a surf, mas a forma como o jogo traduz o desporto para jogabilidade não proporciona grande dificuldade e como tal grande recompensa. Para fazer a maioria dos truques apenas temos de virar a personagem para  a onda o que facilmente conseguimos e depois tudo se resume a uma qualquer combinação das teclas para que alguma coisa aconteça e largar as teclas antes de ser tarde demais para não cairmos da prancha. Depois existem rotações que têm de ser escolhidas antes de efectuar a manobra e truques especiais que apenas podemos fazer depois de encher um medidor até um certo ponto. Para encher o medidor basta andar pela onda ou fazer alguns truques mais básicos, mas mesmo estes não são muito complicados de conseguir e no fim acaba por saber realmente a pouco. Todos os níveis se jogam exactamente das mesma maneira e como cada onda é tão curta sentimos que estamos a fazer a mesma coisa vezes e vezes sem conta.

Mesmo que os diferentes torneios com diferentes dificuldades, praias singulares e algumas opções de customização pareçam ao principio uma boa quantidade de conteúdo, a verdade é que quando se soma tudo o que realmente interessa, Surf World Series resume-se a uma repetição da mesma onda, o que torna este jogo ainda mais aborrecido do que ver surf na TV.

Tiago Roque

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