Análise: Severed

Severed é o novo jogo da Drinkbox Studios, conhecidos principalmente por Guacamelee, o metroidvania que se tornou um sucesso. A Drinkbox é excepcional em pegar em géneros, misturar tudo e criar algo de verdadeiramente único e Severed é exactamente isso. Pegando naquilo que esperamos normalmente de um dungeon crawler e misturando com a jogabilidade de Fruit Ninja, a Drinkbox conseguiu criar algo novo que dificilmente funcionaria no papel, mas que na realidade funciona e muito mas muito bem.

Em Severed, o jogador assume o papel de Sasha, uma mulher de um só braço numa missão para salvar a sua família do purgatório, que nesta versão se encontra cheio de monstro. Mesmo que ela perca um braço, ela ainda consegue combater, e o jogador usa o ecrã sensível ao toque da Switch para cortar e desarmar inimigos que Sasha encontra quando viaja através das masmorras. O jogador move-se usando o analógico e, em combate, desliza o dedo para cortar os inimigos ou interromper os ataques. Enquanto estiver em combate existe um medidor que vai enchendo à medida que vamos eliminando os inimigos. Quando este medidor atinge o máximo começa um mini-jogo em slowmotion, muito semelhante ao que acontece em Fruit Ninja e que permite desmembrar os inimigos. São esses membros que são necessários para que Sasha suba de nível e obtenha melhores estatísticas, portanto é algo realmente importante.

O jogo começa com bastante facilidade, apenas introduzindo alguns inimigos simples para o jogador lutar. No entanto, ele rapidamente aumenta o desafio e começa a adicionar vários monstros. O jogo torna-se ainda mais estratégico, pois é preciso prestar atenção aos medidores inimigos que nos informam de potenciais ataques que precisamos mesmo de bloquear para sobreviver. Esse aspecto para Severed é realmente interessante e faz com que a jogabilidade tenha muito mais profundidade do que o que acontece com Fruit Ninja e similares. No entanto, mais tarde, alguns dos inimigos ficam um pouco mais difíceis e existem alguns combates angustiantes. Nunca foi muito difícil, mas, às vezes, Severed consegue surpreender com alguns picos de dificuldade.

O combate é muito gratificante e visualmente é um jogo muito interessante, sendo a unica falha o facto de apenas poder ser jogado em modo handheld e isso pode ser um problema para muitos jogadores. A melhor parte da Switch é poder ser utilizada das duas formas e um jogo que apenas pode ser jogado de uma forma pode ficar aquém para muitos jogadores. Os Estúdios Drinkbox são conhecidos por ter jogos muito atraentes visualmente, como Guacamelee que já referi nesta análise, que tem um estilo muito simples e elegante, mas estão repletos de cores vibrantes e design de personagem muito interessante. Severed não é exceção, e pode ser o melhor jogo de Drinkbox e tendo em conta a abordagem mobile de Severed é realmente surpreendente. Os ambientes, enquanto eles deveriam simplesmente ser masmorras simples, ainda têm uma grande variedade de cores e os monstros têm alguns designs excelentes. O uso intenso de vermelhos e roxos ajuda a tornar o jogo realmente brilhante. A música também é fenomenal e ajuda a criar uma experiência excelente.

Severed tem uma óptima história, um grande protagonista e uma arte excepcional que faz todas as áreas um regalo para os olhos. É um jogo que nos faz ansiar pelo próximo jogo da Drinkbox e por incrível que pareça comprar uma Nintendo Switch, porque os jogos indie como Severed são mais do que tudo o que nos ocupa o tempo entre grandes lançamentos e se todos tivessem esta qualidade, nem eram preciso esses grandes lançamentos.

Tiago Roque

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