Análise: As Cinquenta Sombras Livre

O final da trilogia de As Cinquenta Sombras chegou ao fim. Depois de três filmes devem ser poucos aqueles que veem com alguma pena o final da trilogia, não sendo a saga capaz de um único filme que acrescente algo ao meio.

O filme arranca momentos depois de onde tínhamos ficado no filme anteriores, Christian e Anastácia casam-se, mas Hyde anda algures nas sombras. Infelizmente o filme falha redondamente novamente em criar qualquer tipo de tensão, resumindo-se a esta introdução e aos últimos 20 minutos do filme para realmente avançar. Existem muitas rotinas narrativas e em muitos casos acontece que apenas o início e o fim são relevantes e até acontece o fim e o início serem o mesmo é tudo o que se passou pelo meio é irrelevante para o desfecho, mas normalmente pelo meio fica a viagem que nos mantém interessados, mesmo quando o fim é um regresso ao status quo, mas este terceiro filme da trilogia de As Cinquenta Sombras mantém-se fiel, oferecendo não uma viagem cheia de substância, mas várias pequenas viagens desprovidas de substância, uma verdadeira manta de retalhos mal unidos.

Normalmente tudo o que não serve para avançar a história serve para construir personagens, mas novamente também nisso toda esta saga falha. Talvez Anastacia se tenha tornado menos tímida e Grey mais sentimental ou algo nessas linhas mas isso é substancialmente pouco para uma trilogia. A ausência de consequências duradouras para tudo não ajuda a criar a criar qualquer tipo de tensão, qualquer crise nunca dura mais do que uma cena normalmente.

Mas aquilo que leva as pessoas ao cinema para ver este filme aparentemente são cenas de sexo. Sempre que uma destas aparecia no ecrã começavam-se a ouvir risonhos no cinema como se fosse uma aula de ciências do 6° ano onde se falavam de pipis e pilinhas. No fundo este filme é um porno fraquinho para as ruas de Cascais. É minimamente erótico sem ofender ninguém, mas podia não ter sacrificado qualquer tipo de profundidade para atingir o mesmo fim. Existem vários exemplos de filmes que conseguem chegar aos seus fãs sem sacrificar a qualidade, o equilibro entre “fan service” e bom cinema, mas isso é algo que nenhum filme desta trilogia ficou perto de fazer, não por falta de tempo, mas porque se perde em cenas inúteis e mal utilizadas como os 6 ou 7 minutos que perde com um diálogo entre Anastacia e Christian sobre se Ana devia mudar de email ou não.

As Cinquenta Sombras Livre não eleva nem a qualidade nem outras coisas que podia elevar, fica-se pela mediocridade e uma especie de caminhar em bicos de pés para não chatear ninguém, mas algo que não chateia ninguém é porque é vazio e vazio é a melhor descrição que se pode fazer a este filme e toda a saga no geral.

Tiago Roque

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