Análise: Last Day of June

Last Day of June é um jogo sobre amor, uma história interactiva que promete derreter os mais frio dos corações. Como a maioria das coisas boas, a felicidade de Carl e June é demasiada boa para ser verdade. Um dia especial que consistia numa viagem ao lago vai deixar Carl, a personagem masculina principal, um homem diferente no pior dos sentidos. Através da resolução de puzzles sobrenaturais Carl pode alterar o passado para construir um futuro melhor. Após um acidente de carro terrível, Carl acordanum mundo sem a amada June, que empresta o nome também ao nome do jogo, sendo este um jogo de palavras que resulta muito bem, mas que vos deixa agora antever o tema do jogo. Ele também descobre rapidamente que possui um dom, poderes mágicos que ganha na sequência da tragédia. Carl pode viajar de volta no tempo, mais especificamente, ele pode usar retratos dos habitantes da cidade para reproduzir os eventos do dia trágico através da perspectiva dessa pessoa. Ao mudar os eventos que levaram ao acidente, Carl espera salvar a vida de June. Apesar de pequenos pormenores tudo é bastante cliché, mas não acho que no geral seja um jogo pouco original

Este é um jogo de aventura e puzzles no qual o jogador tenta manipular o passado para tornar um futuro melhor para Carl. O jogador assumirá o controle de um total de seis personagens, incluindo a dupla acima e que tem o papel central de tudo isto, através de múltiplas tentativas de mudar o passado. Cada ação que o jogador toma como um personagem afeta os outros. Abrir um portão com um personagem pode render um novo caminho para outro e assim por diante. Last Day of June tem algumas qualidades inegavelmente surpreendentes, a primeira das quais é a arte. Os personagens não parecem exatamente humanos, mas sim as tipicas caricaturas que encontramos por exemplo nos filmes de Tim Burton, mas isso também faz com que todo o leque de personagens consigam transmitir tão facilmente um leque surpreendente de emoções.

Do caçador da cidade às crianças, cada aldeão é desenvolvido de maneiras interessante através das suas interações uns com os outros e memórias que podem ser encontradas em torno da cidade. Outro ponto fortíssimo do jogo é a soberba banda sonora que torna cada cena mais rica e capaz de transmitir sentimentos. A música de Steve Wilson foi o ponto de partida para esta história melancólica e essa melancolina consegue ser transversal graças a ela. A música fornece um pano de fundo sombrio para o conto de Carl. Infelizmente nas áreas menos artísticas e que dizem respeito a mecânicas de jogo propriamente ditas Last Day of June não mantém essa qualidade. A repetição é muita e alguns puzzles acabam por ter uma solução mais perto do tentativa e erro do que na tentativa de procurar uma solução lógica.

Last Day of June apresenta uma história de amor bastante deprimente num pacote encantador e visualmente incrível. Embora certamente não seja para todos, aqueles com um gosto pelos jogos focados na narração irão encontrar aqui algo de realmente especial, no entanto acaba por ser um jogo fraco no que realmente o torna um jogo, num qualquer outro media seria uma experiência bastante superior.

Tiago Roque

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