Análise: A Agente Vermelha

O novo filme de Francis Lawrence (I am Legend, Constantine e Hunger Games) tem como cara principal Jennifer Lawrence com quem o realizar já tinha trabalhado antes e que interpreta aqui talvez o seu trabalho mais “adulto” mas que não representa o seu melhor trabalho. A história acaba por ser familiar, indo buscar inspiração às varias histórias de espionagem que fomos vendo no cinema e que tinham como pano de fundo a guerra fria, com a diferença de que aqui essa guerra parece nunca ter acabado, com os russos a continuarem a ter vários departamentos e escolas secretas de espionagem, sendo a principal deste filme a escola dos “Sparrows”, agentes treinados na arte da sedução e que têm como papel principal infiltrar-se e criar ligações pessoais com alvos pré seleccionados.

Dominika (Jennifer Lawrence) é uma bailarina bastante conceituada que depois de “acidente” se vê forçada a abandonar o seu sonho e vocação. Como a companhia de balet era quem providenciava a sua habitação e tratamento para a mãe doente, Dominika vê-se forçada a aceitar uma proposta do seu tio, um dos homens mais importantes da espionagem russa. Toda esta trama vai-se desenvolvendo e complicando, misturando um espião americano sobre quem não chegamos a perceber qual era a sua missão original, apenas que era o único contacto de uma toupeira, animal que está na moda por Portugal, no governo russo. Praticamente todo o filme restante se baseia em saber quem é a toupeira e qual o verdadeiro plano de Dominika que se revela como um talento natural para a vida de espião, conseguindo manobrar-se nos dois lados do conflito com facilidade.

Não posso deixar de comprar este com o recente Atomic Blonde, apesar de serem filmes completamente diferentes, mas têm uma temática semelhante e comparando-os, facilmente chego à conclusão que Atomic Blonde é muito mais aliciante de ver. Longe daquilo que qualquer trailer tenha tentado levar os espectadores a acreditar, A Agente Vermelha é um filme lento que nunca nos dá um verdadeiro retorno pela espera, apesar de um final satisfatório, pessoalmente esperava mais de um filme que cria todas as linhas narrativas que cria, complicando demasiado uma narrativa simples e prejudicando-se por isso.

Mas este está também longe de ser um mau filme. As interpretações são quase todas de boa qualidade, apesar de alguns sotaques serem demasiado forçados. Não posso deixar de dar os parabéns ao elenco, principalmente pelas cenas durante a escola de agentes, onde uma parte considerável envolve cenas nuas e que foram certamente bastante desconfortáveis de fazer, mas é também onde o filme tem mais impacto.  O ritmo do filme é um pouco lento e o tom acaba por se ficar por uma certa melancolia que é apenas interrompida por momentos de tensão. Além do ritmo lento, o filme é também consideravelmente grande, o que irá certamente jogar contra ele na bilheteira. Apesar da relação de Dominika e Nate ter momentos, a falta de química entre os dois actores é fácil de detectar. A ultima metade do filme acaba também por se tornar uma visualização que eu apelidaria de estranha, porque ao contrário da maioria do cinema, aqui todos os motivos e sentimentos reais de Dominika estão escondidos atrás dos olhos de Jennifer Lawrence. Apesar da direcção ser brilhante e eu ter a certeza absoluta que o objectivo era exactamente deixar o espectador a sentir-se assim, a verdade é que se torna uma visualização difícil por causa disso.

 

Tiago Roque

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