Análise: Shadow of Colossus

Shadow of Colossus não é apenas um dos meus jogos favoritos para a PS2, é também um dos meus favoritos de sempre. Infelizmente tenho tendência para não gostar de voltar a jogos que adorei depois de muito tempo porque normalmente metade das boas memórias que temos dos jogos são através dos olhos da nostalgia, que normalmente amplificam tudo o que era de positivo. Existem algumas excepções, mas geralmente nenhum jogo se mantém com a qualidade de que nos lembramos. Portanto a realidade é que voltei apenas a Shadow of Colossus das duas vezes que o jogo recebeu melhorias gráficas.

13 anos depois do original ser lançado para a PS2, Shadow of the Colossus está de volta. Ele apresenta os mesmos pontos fortes que os fãs do original se lembram, do mundo aberto aos Colossus em si, com gráficos impressionantes que combinam com os dos jogos modernos. Shadow of the Colossus aparece com um aspecto incrível. Ele dá aos fãs de longa data do jogo uma chance de realmente apreciar os detalhes do vasto mundo aberto e dos 16 Colossus que enfrenta, em resoluções até 4K na PS4 Pro. Existem jogos que pouco ganham de uma atualização, especialmente Uncharted por exemplo que apenas ganhou o direito a um port que um upgrade gráfico, ficando o jogo em si intacto. Mas Shadow of Colossus com apenas esta melhoria gráfica ganha muito mais. O mundo cresce e ganha vida, dimensão e todo o grafismo mais detalhado dos Colossus faz justiça ao trabalho que foi feito na sua concepção. Acaba quase por ser uma bela ilha que apenas tínhamos visto com nevoeiro e que vemos agora pela primeira vez num dia de sol.

Os Colossos são de tirar o fôlego, tanto em escala quanto em design, funcionando cada um como uma batalha contra um boss e como um verdadeiro puzzle, pois nenhum deles pode ser realmente derrotado em combate aberto, mas sempre como uma série de passos que temos de fazer até chegar ao seu ponto fraco. Enquanto alguns podem exigir que o jogador utilize o ambiente para obter uma vantagem, outros exigem reações rápidas e alguns precisam de muita paciência. Nem sempre é imediatamente claro como fazer a abordagem, mas, ao estudá-los conseguimos encontrar forma.

Enquanto alguns elementos de combate são frustrantes há momentos que são o mais épico que se pode encontrar num videojogo. Não existe qualquer combate no jogo que não nos deixe a sentir como verdadeiras formigas. Agarrar-se ao colosso enquanto ele tenta se livrar de nós é algo que vamos fazer com frequência, e é aqui que as fantásticas animações e a física brilham. A personagem vai perder o equilíbrio, rolar por aí, lutar por algo para agarrar e vai ser lançado e tudo isso parece realista.  Mas não são apenas os Colossos que são impressionantes, também o mundo aberto é lindo, com uma paisagem variada que apresenta florestas densas, cascatas épicas e até um deserto. A maneira como o jogo alterna entre os ambientes é apresentada de maneira bastante épica. Cavernas pequenas e escuras geralmente se abrem para um ambiente completamente diferente daquele em que o jogador estava antes, e as mudanças são geralmente dramáticas.

Mas enquanto Shadow of the Colossus é impressionante e está repleto de momentos épicos, há elementos do jogo que não envelheceram bem. Enquanto Shadow of the Colossus parece um jogo PS4, ainda é um jogo de PS2 no coração e pode ser considerado por alguns, especialmente aqueles que não jogaram o original, como sendo um pouco básico comparado a outros jogos lançados em 2018. Mas é também um jogo mágico mas elementos que o tornaram único quando foi lançado e o continuam a fazer. O mundo aberto  é impressionante, vasto e variado, mas não há nada a fazer além da batalha dos Colossos. Não existem pequenos monstros, apenas pequenos animais que nos dão um pouco de vida extra mas que podemos simplesmente ignorar. Existem templos e santuários espalhados pelo mapa que podem curar a nossa personagem, mas eles são também inúteis pois não há inimigos que nos enfraqueçam entre batalhas e depois destas começarem não há utilidade para estas zonas.

O jogo também carece de variedade de combate e pode-se tornar um pouco frustrante; a espada oferece um único ataque, não há como correr mais rápido apesar de ter uma barra de resistência para escalar e nadar e acabam por ficar até botões livres no comando. A câmara também tira o controle do jogador com frequência, normalmente para mostrar o belo ambiente do jogo. Existem ainda alguns elementos que parecem um pouco datados, mas nenhum deles parece um compromisso demasiado elevado para que impeça qualquer jogador de aproveitar uma verdadeira obra mestra.

 

Tiago Roque

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