Análise: Tomb Raider

Tomb Raider é uma das sagas mais importantes nos videojogos, uma das poucas a sobreviver durante tanto tempo e mais do que isso, uma que conseguiu manter-se relevante durante todo este tempo, renascendo das cinzas várias vezes e mais forte de cada vez. O mais recente reboot apenas tornou Tomb Raider e por associação Lara Croft ainda mais popular com jogos que são em tudo superiores aos jogos iniciais da série e mais do que tudo com histórias mais fortes e uma Lara mais adulta e mais forte enquanto personagem. Não é portanto de admirar que a personagem volta ao cinema.

Apesar de os primeiros filmes com Angelina Jolie não serem propriamente bons, acabaram por se tornar bastante conhecidos e populares sendo um dos últimos exemplos do típico cinema dos anos 90. Lara era pouco mais do que uma boneca com armas e Angelina desempenhou esse papel na perfeição, mas os novos tempos trouxeram necessidades diferentes e é aí que entra Alicia Vikander, a nova Lara Croft.

A inspiração para o filme é sem grande surpresa o reboot. Lara é uma desportista que vai arranjando pequenos trabalhos pela cidade para sobreviver. No momento que o filme começa Lara dedica-se a fazer entregas de bicicleta, mas depois de uma confusão com a policia ficamos a conhecer a sua história e a da sua família, especialmente o seu pai. Ficamos também a saber que tem uma enorme fortuna que pode reclamar se assinar uma declaração a aceitar a morte do seu pai que desapareceu alguns anos antes.

Não conformada pela história que lhe contam Lara parte à descoberta do que aconteceu ao seu pai e o resto do filme acaba por ser o expectável. Um local remoto e exótico, um estranho artefacto e uma poderosa e secreta organização que o quer para dominar o mundo. Pessoalmente sou grande fãs de aventuras, apesar de o próprio Indiana Jones ser já um reaproveitar de ideias, a realidade é que são filmes que adoro e Tomb Raider foi mais um filme que gostei de ver. Não esperava uma experiência que fosse significar algo ou um filme poderoso com qualquer tipo de mensagem, queria ver um filme de acção com um pequeno toque de fantasia e mistério e é isso que me foi dado.

Tomb Raider não é um filme perfeito ou sequer acima da média, é preciso reconhecer os factos. Muitos pormenores não fazem sentido e Lara Croft como um comum mortal deveria ter morrido em praticamente todas as cenas de acção. Além disso os efeitos visuais podiam ser melhores, estando longe de blockbusters como qualquer filme da Marvel, mas se existir uma sequela e tudo indica que venha a existir, há uma coisa que ficou bem patente neste filme, Alicia Vikander é uma actriz simplesmente fenomenal, talvez das melhores actualmente. A interpretação de Alicia é perfeita e o momento alto do filme. A diferença de qualidade é aliás evidente, talvez aliada a ser a única personagem com real peso e interesse, mas é de louvar o trabalho de Alicia que mostra sem duvida que tem algum tipo de ligação à personagem. Quanto ao resto do filme, este acaba também por sofrer por ser uma história de origem. Não tenho qualquer tipo de ideia pré concebida contra filmes de origem, mas a nota-se que faltou tempo para tornar o resto do filme melhor e a história em si sofre um pouco com isso, ficando-se por ser uma versão mais fraca do primeiro Uncharted.

 

Tiago Roque

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