Análise: Sudden Strike 4

Se existe um conflito real que tem sido utilizado até à exaustão no mundo dos videojogos, esse conflito é a segunda guerra mundial. Temos sagas inteiras dedicadas a essa catástrofe mundial como Medal of Honor, Call Of Duty, Company of Heroes e como é óbvio Sudden Strike. Enquanto muitos jogos do género RTS se concentram em fazer o jogador reunir recursos, reunir forças e construir bases maciças, as missões de Sudden Strike 4 dão-nos um número relativamente pequeno de unidades e, mais tarde, reforços, em palcos inspirados em conflitos reais durante a segunda guerra mundial e que contam com alguns heróis da época que nos dão melhorias. Em outras palavras, o jogo possui unidades de heróis persistentes, cada uma com suas próprias árvores de habilidade. Embora um pouco do lado curto com apenas 7 missões razoavelmente longas para as campanhas Aliadas, Alemãs e Russas, Sudden Strike 4 oferece um grande valor de repetição, com cada missão permitindo múltiplas abordagens estratégicas, isto se o jogo conseguir ser cativante o suficiente para vocês.

Um pontos interessante de Sudden Strike 4 é que ele foi lançado na PS4, bem como no PC, algo que está longe de ser normal. Existem muito poucos jogos RTS nas consolas e muito menos aqueles que simplesmente funcionam, um dos poucos que o fez até foi criado em solo nacional, mas graças ao seu ritmo mais lento e a encontros modestamente dimensionados, não tive problemas para controlar o jogo e em grande parte dou os parabéns à UI que torna isto possível. Enquanto os jogadores bem-sucedidos abordarão abordarão cada missão com algum planeamento cuidadoso e uma boa dose de paciência, eu não considerei que tudo isso fosse assim tão necessário, uma vez que logo no início conseguimos perceber que na dificuldade normal o jogo é bastante acessível. Cada missão tem um conjunto de objetivos, alguns obstáculos ao longo do caminho, algumas surpresas e, no final, o jogador recebe uma classificação e a chance de avançar ou tentar novamente.

Sudden Strike 4 parece e soa muito bem, com muitos detalhes pequenos nas paisagens e uma riqueza de sons e animações de armas eficazes. Na verdade, as unidades mesmo os tanques e os veículos de abastecimento, para não mencionar vários tipos de infantaria têm um pouco de caráter heróico difícil de definir, apesar do tamanho e familiaridade óbvia no género e no cenário. A iluminação, o tempo e os efeitos do tempo do dia não só trazem para cada ambiente uma presença real, mas também influenciam o curso da batalha. O que é menos bem sucedido é a voz do comandante às vezes irritante que actua e a falta geral de paixão ou originalidade na história. Todas estas histórias de guerra já foram contadas antes, incluindo videojogos. Não admira que muitos jogos comecem a optar por versões fantasiosas da segunda grande guerra com zombies nazis e coisa desse género, uma vez que por muito respeito que haja pela história real, a realidade é que tudo isto está mais do que feito.

Na verdade, essa é a maior falha de Sudden Strike 4, simplesmente foi feito muitas vezes antes, e o jogo parece estar confortável com isso, o facto de de uma maneira boa nos oferecer uma experiência imediatamente reconhecível. Não sei como fazer com que o assalto da Normandia ou os invernos glaciares russos sejam surpreendentes de novo, especialmente num RTS, onde o drama humano passa para segundo plano, sendo o primeiro ocupado pela estratégia e a táctica militar. No entanto o mérito de aparecer nas consolas e ser tão jogável como é ninguém lhe pode tirar e nesse caso específico esqueçam tudo o que disse e aproveitem um excelente RTS que pega em tudo o que de bom foi feito no género e cria uma excelente proposta, mesmo que a inovação se fique por ser lançado em consolas.

Tiago Roque

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