Análise: Darkest Dungeon

Explorar  masmorra e invadir túmulos têm sido ideias já exploradas à décadas, mas Darkest Dungeon consegue ser inovador e trazer ideias novas. Darkest Dungeon, em primeiro lugar, é um jogo sobre gestão e decisões difíceis. o jogador tem que escolher um grupo de quatro homens com cuidado e certificar-se que leva itens suficientes para durar toda a viagem, mesmo que isso signifique que o jogador não pode carregar tanto dinheiro. O jogador tem que entender intimamente cada uma das áreas, com os inimigos que o jogador vai lutar e os obstáculos que vai encontrar, e se preparar de acordo. Conhecer o ambiente e os inimigos é essencial para ter sucesso porque algumas habilidades e itens são completamente inúteis contra certos inimigos.

Em termos de combate, Darkest Dungeon é um RPG por turnos, com ordem de turno determinada pela velocidade do personagem. Aliados e inimigos estão alinhados num campo 2D e o posicionamento é muito importante. As habilidades de combate à distância e corpo a corpo só podem ser usadas a partir de certas posições, e o seu posicionamento pode ser realmente a diferença entre a vida e a morte. Além disso, quando a maioria dos inimigos são mortos, eles deixam para trás cadáveres, que nada mais são do que obstáculos no caminho de outros inimigos. Eles precisam ser limpos ou os personagens corpo-a-corpo não conseguem alcançar os inimigos mais distantes.

As batalhas podem ser complicadas, mas, como elas são baseadas em turnos, o jogador pode levar o tempo que precisar para descobrir o seu próximo movimento. É importante tomar nota das habilidades que o jogador tem à sua disposição, bem como a probabilidade de o jogador matar um inimigo rapidamente, o que acaba por ser a melhor defesa possível. Um inimigo que não tem tempo de atacar não pode infligir dano. O jogador também tem que ter cuidado para gerir Hamlet, o centro geral do jogo. Em Hamlet, o jogador pode pegar novos cadáveres , curar os seus heróis, melhorar equipamentos e habilidades e outras opções mais ou menos expectáveis. Para aproveitar totalmente Hamlet, o jogador precisa melhorar os locais disponíveis com heranças. As heranças são recebidas como recompensas de missões e nas próprias masmorras, e são tanto ou mais importantes que o ouro.

Darkest Dungeon não é de todo um jogo fácil, tem aliás uma aprendizado inicial difícil, que pode ser frustrante às vezes. Enquanto o jogador experimenta novas áreas, o jogador irá sem duvida falhar missões, e terá personagens permanentemente mortos. Darkest Dungeon não tem medo de punir o jogador por falta de conhecimento, mesmo no modo Radiant que é recomendado para jogadores iniciantes. Embora existam alguns tutoriais disponíveis, o jogador terá que descobrir os meandros das masmorras por conta própria. Mas apesar de Darkest Dungeon é geralmente difícil, mas justo, alguns testes infelizes do RNG podem arruinar até mesmo as runs mais bem preparadas, especialmente quando o inimigo consegue uma série de ataques críticos que desafiam a sorte e/ou nós falhamos uma série de ataques.

Apesar da dificuldade e da frustração ocasional, Darkest Dungeon é viciante e consegue manter o jogador interessado durante horas e horas. Apesar de por vezes nos obrigar a levantar e apanhar ar para não partir nada, a qualidade das suas mecânicas e a forma como é quase sempre justo torna-o realmente bom e uma referência no género.

Tiago Roque

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