Análise: Ready Player One

O mais recente filme de Steven Spielberg e o regresso do realizador ao cinema blockbuster, Ready Player One é a adaptação do livro do mesmo nome de Ernest Cline. Num futuro próximo a Terra entra numa crise energética depois das reservas de combustível fóssil acabarem e desse mundo de guerra e pobreza nasce o Oasis, um mundo virtual com muitos elementos de jogos que já existem actualmente. O principal criador do Oasis é Halliday, Mark Rylance, que faleceu e deixou uma ultima aventura aos jogadores, uma verdadeira caça ao tesouro que consiste em três chaves que os jogadores têm de encontrar. Quem conseguir esta aparentemente simples tarefa consegue o controlo total do Oasis e toda a sua fortuna. 

O filme em si começa cinco anos depois do lançamento deste desafio, com ainda todas as chaves por descobrir. Ninguém sabe sequer onde começar a procurar estas chaves, mas parece haver algo de que todos têm certeza, a vida de Halliday é fundamental mas apenas a personagem principal, Wade ou Parzival no Oasis, Tye Sheridan, parece estar a procurar nos locais certos, focando-se nos pontos mais importantes da vida de Halliday, os seus falhanços e arrependimentos. Um dos aspectos em que o filme funciona melhor é nesta análise da vida de Halliday, alguém que deu tanto aos outros e parece ter-se esquecido de viver, faltando-lhe talvez a coragem para as mais pequenas coisas como pedir à mulher que gostava para dançar.  

A vida de Wade tem também direito a grande destaque, mas poderia ser melhor explorada. Ficamos a saber que vive numa casa com mau ambiente. Depois de ter perdido os pais vive com uma tia e o namorado abusivo mas é apenas isto que ficamos a conhecer. Mesmo o sitio onde vive poderia ser melhor explorado, ficando-se por uma descrição breve de um local muito pouco apelativo onde muitos dos habitantes são utilizadores do Oasis e que com melhor ou pior Hardware o usam para cumprir os seus sonhos e fantasias.  

O vilão do filme é a corporação IOI que investiu milhões para encontrar as chaves e assumir controlo do Oasis e para isso tenta controlar e dominar os jogadores tanto dentro do mundo virtual como no mundo real, assumindo uma dimensão quase militar durante a maioria do filme. O vilão é no entanto um ponto fraco do filme, especialmente pelo mau trabalho que faz no seu papel de impedir o sucesso dos High Five, o grupo formado por Parzival e os seus fieis companheiros. Todos os planos da IOI saiem furados e nunca em qualquer momento do filme senti que o grupo estivesse realmente em perigo, fosse qual fosse o elemento do grupo todos pareciam estar em segurança. 

Um dos aspectos que melhor está representado no filme e que faz a maioria dos jogador se reverem no filme é o facto de todo o grupo se sentir mais à vontade no Oasis do que na vida real. Todos eles têm problemas, mas é o Oasis que lhes permite esquecer esses problemas e habitar um avatar com que é mais a sua verdadeira pele do que o seu corpo físico. Foi neste mundo virtual que criaram laços e verdadeiras amizades e no caso de Parzival e Art3mis, o amor. Essa ligação que as personagens têm com  mundo virtual é transversal a todos os outros jogadores e é o que acaba por unir todos os jogadores contra a IOI que assume o papel de um estado autoritário que apenas pretende controlo o OASIS para obter lucro.  

Ready Player One é um bom filme e que irá ter muitos pontos em comum com os jogadores. Mas tem outro elemento que une todos os que forem ver o filme, a quantidade de easter eggs. Os Easter Eggs assumem um papel central no filme, uma vez que são essenciais para os jogadores encontrarem as chaves, mas espalhados por todo o filme de uma forma quase abusiva estão referencias a filmes e jogos dos últimos 20 ou 30 anos. Desde o Delorian à mota de Akira e o Gigante de Ferro ao Master Chief as referencias são tantas que a lista seria maior do que a análise que estou a escrever. Sempre que algo que eu reconhecia aparecia no ecrã os meus olhos brilhavam e esse é também um elemento de união, que une aqueles que pertencem a uma geração que cresceu com Super Mario e agora joga Fortnite e Halo. Apesar de as comunidades nos mundos virtuais tenderem a serem tóxicas, a comunidade que cresceu com esta cultura é enorme, mas tem suficientemente em comum para se poder unir em torno de um filme. 

Tiago Roque

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