Análise: Vingadores – Guerra do Infinito

Depois de 10 anos em MCU chegamos aquele que é realmente o culminar de toda a construção que a Marvel fez no seu universo cinematográfico. O investimento dos fãs tem sido massivo e a aderência à bilheteira é a prova disso, mostrando que vale realmente a pena dar tempo ao tempo, construir cada personagem individualmente ou ir dando espaço ocasional em vários filmes sem nunca forçar ou correr. A quantidade de filmes que fazem parte do MCU começa a ser gigante e se juntarmos a estes as séries e outros tie-ins começa a ser quase impossível acompanhar tudo o que compõe este universo.

Durante anos a Marvel foi mostrando Thanos e as pedras do infinito, sem nunca desvendar demasiado, apenas o suficiente para nos deixar ansiosos, algo que a Marvel se tornou mestre com as suas cenas pós créditos. Agora conhecemos o objectivo real de Thanos naquele que é acima de tudo o seu filme. Guerra do Infinito conta praticamente todas as personagens dos filmes do MCU, com algumas excepções, mais propriamente o Homem-Formiga e Hawkeye, personagem essa que foi desaparecendo aos poucos dos posters e não está em lado nenhum no filme, numa ausência que supostamente irá fazer sentido quando o quarto filme dos Vingadores estrear no próximo ano. Thanos acaba por ser a personagem mais forte neste filme e sem ter feito qualquer conta, a personagem com mais tempo de ecrã. Thanos é depois deste filme o melhor vilão do MCU, ganhando uma dimensão superior a qualquer um dos outros, apesar de quando toda a excitação do filme assenta e pensamos um pouco vemos que a sua motivação é relativamente fraca.

Um dos problemas destes filmes gigantes que juntam várias franquias e séries é a quantidade de personagens que precisam de atenção, o que normalmente acaba por resultar em tempo insuficiente para todas as personagens. Isso acontece em Guerra do Infinito, no entanto a estratégia foi simples, dar tempo a algumas personagens para se desenvolverem um pouco, com destaque para Thor, Homem-Aranha, Dr. Strange e Iron Man e utilizar as outras praticamente como figurantes, algo que apenas pode ser criticado por estas personagens serem tão conhecidas. A realidade é que dentro de um universo de más opções esta é a melhor opção possível. Nem todas as personagens têm muito tempo de ecrã, mas aquelas que não têm também não parece ter existido grande esforço em tentar dar-lhes uma ou duas cenas, simplesmente houve uma escolha e várias personagens foram sacrificadas e reduzidas a filling.

Exactamente como a Marvel tem vindo a mostrar Thanos esteve ao poucos a tentar deitar as mãos às seis pedras do infinito, umas pedras com poderes imensos criadas no início do universo que foram aos poucos aparecendo nos filmes da Marvel, começando no Tesseract que teve um papel fundamental em vários filmes e que contém a pedra do espaço. A única pedra que realmente nunca tinha aparecido era a pedra da alma e que tem aqui um papel central, servindo para criar um dos melhores e mais marcantes momentos do filme, assim com o mais surpreendente regresso deste talvez o início do MCU.

Algo em que Guerra do Infinito brilha é no equilíbrio entre cenas, ritmo e relevância das cenas. Nenhum momento do filme parece inútil, todos têm alguma relevância e as cenas de ação além de fantásticas têm a duração certa. O ritmo é fantástico a apesar de uma ou duas cenas atrasarem o ritmo isso serve apenas para nos dar algum descanso e construir e explorar a personagem de Thanos. Aquilo onde talvez brilhe menos é no diálogo. A quantidade de exposição é grande e muitos elementos do filme são explicados em vez de serem mostrados. É algo que pessoalmente não acho que seja a melhor opção mas entendo. Mesmo sem contar com a exposição alguns dos diálogos são relativamente fracos, mas aparecem a espaços e no geral a escrita é sólida, apenas é pena que nem toda o seja.

No fundo Vingadores – Guerra do Infinito é o culminar de 10 anos de dedicação. A ligação com os fãs é enorme e este é o filme que vai quebrar todos os records. É um verdadeiro evento da cultura pop, o crossover mais aguardado de sempre e mais ambicioso de sempre. Dificilmente irá acontecer novamente um estúdio dedicar 10 anos na construção de algo e Vingadores – Guerra do Infinito acaba por ser uma prova de que é possível mas que a escala vista tantas vezes na banda desenhada não acrescenta assim tanta coisa no cinema. Guerra Civil acaba por ser um filme superior a Guerra do Infinito porque existem menos personagens e há mais tempo para nos forcarmos em cada uma, mas enquanto evento Guerra do Infinito é o verdadeiro nerdgasm que irá ficar para a história.

Tiago Roque

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