Análise: The Thin Silence

À superfície, The Thin Silence é uma aventura com puzzles e uma narrativa competente. Não muito será revelado no início porque o jogo nos dá o mínimo de informações. Há algumas dicas de notas dispersas de uma guerra civil e a imensa culpa que Ezra sente devido aos eventos que ele aí viveu. Qualquer coisa a mais será revelada progredindo pelos níveis enquanto resolvemos os puzzles, hackeando terminais e criando ferramentas úteis. Subir mais e mais é o nosso objetivo desde que o jogo nos encontra começando no fundo do poço. É uma alusão bastante clara à depressão, tema esse que se torna óbvio no decorrer do jogo.

Ocasionalmente, o jogador encontra vários gadgets que podem ser usados independentemente ou combinados com outros gadgets para criar um novo item. Os puzzles começam bastante simples mas com a adição de novos gadgets, o tamanho dos níveis também se expande, assim como a dificuldade dos puzzles. Esdras tem apenas uma velocidade de caminhada e a lentidão é facilmente notada nas áreas maiores ou especialmente quando precisamos de repetir uma secção.

Se há uma palavra que poderia ser usada para descrever a arte do jogo, é minimalista. A arte pixelada de um personagem tem apenas o detalhe suficiente para se assemelhar a uma forma humana. As áreas iniciais do The Thin Silence são bastante sombrias e monocromáticas com uma paleta de cores que se expande à medida que o jogador avança, algo que novamente pode ser interpretado como uma metáfora para sair lentamente da depressão e assim ver novamente as cores e conseguir arranjar novas maneiras de apreciar a vida. Os poços de minas são depois substituídos por paisagens brilhantes e montanhas colossais. Uma mudança lenta e inesperada da abertura claustrofóbica.

O som de The Thin Silence é também surpreendentemente bom. No início, há alguns sons ambientais minimalistas no poço da mina, como o vento ocasional e a água pingando das estalactites. O som ambiente é posteriormente seguido pelos assombrosos e tensos acordes de piano. Thin Silence é um jogo que não nos dá tudo em uma bandeja de prata. O jogador é informado no início sobre o que é o jogo, mas precisa percorrer um longo caminho para desvendar os seus mistérios e metáforas.

The Thin Silence não é um jogo que vai agradar a todos. O tópico e as suas metáforas não são algo que vá ressoar com todos, mas vai encontrar um publico que talvez seja mais abrangente do que aquele que eu identificaria.

Tiago Roque

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