Análise: Apocryph

Apocryph é uma espécie de carta de amor aos FPS clássicos e com forte inspiração de jogos como Painkiller.  O resultado final é um misto de emoções e frustrações que embora tenha acertado em muito e seja nostálgico e divertido de jogar, não se pode ficar indiferente a todas as medidas restritivas deste título. Apocryph descreve-se como um shooter old school e isso é na maior  parte verdade. A jogabilidade é bastante intensa e morre-se realmente muitas vezes. A seleção de armas é bastante exótica para um FPS e as munições vêm na forma de mana em três cores diferentes, que o jogador pode usar para equipar equipamentos.

Visualmente Apocryph encontra-se na faixa na baixa do espectro e todo o grafismo é de baixa resolução, no entanto isso é apenas parcialmente verdadeiro. Por padrão, o Apocryph oferece gráficos 3D padrão, modernos, embora totalmente inexpressivos, que se pode encontrar na maioria dos jogos atualmente.  No entanto existe a opção de jogar com visuais retro que transformam os visuais do jogo para se aproximarem aos de jogos retro e essa é uma opção muito bem vinda uma vez que este é um daqueles casos em que menos é mais e o jogo torna-se melhor e ganha carácter com essa opção ligada.

Infelizmente, tirando tanto o efeito pixelizado e  o motion blur  revela o quanto os inimigos são fracos. A seleção de fontes para a maior parte do texto dá também um tom amador à produção. Alguns itens colecionáveis ​​são apenas pontos de luz que se perde em toda a confusão do ecrã também, mas tudo isso ainda não estraga a jogabilidade geral do jogo. A música do jogo por outro lado não tem consistência alguma. Maior parte dos jogos deste gênero escolhe um estilo, eu gosto de acreditar que apenas Metal devia ser usado neste género, mas seja qual género for é preciso que a banda sonora seja consistente. Apesar de a maioria das musicas se enquadrarem em sonoridades mais pesadas, mesmo quando ouvidas de forma isolada nenhuma das musicas é realmente boa.

Um dos principais problemas do jogo é  que os inimigos apesar de poderosos não são inteligentes. Qualquer coisa que se encontre no mundo de Apocryph raramente representa um desafio além de ser difícil de matar quando abordada diretamente. Algumas configurações gráficas combinadas podem tornar o jogo praticamente impossível de jogar uma vez que simplesmente quebram o jogo. No fundo tecnicamente o jogo é um desastre que é mascarado graças a algumas boas decisões tomadas pelo meio que vão salvando o jogo da desgraça.

A história também não é a melhor ou sequer contada da melhor forma, uma vez que parece começar a meio e terminar antes do final. Depois de vencer o supostamente o último nível parece existir uma continuação que simplesmente não existe. É realmente uma pena que Apocryph  pareça apressado e algumas escolhas sejam simplesmente erradas porque existe um mercado e fãs deste género e havia aqui muitas promessas que poderiam fazer um excelente jogo, mas tudo parece ter ficado pelo caminho.

Tiago Roque

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