Antevisão: Dead Age 2

O primeiro Dead Age não foi um jogo que me tenha impressionado muito no seu lançamento original. O conceito de adaptar a jogabilidade de RPG por turnos num mundo de apocalipse zombie não me pareceu de todo mau, no entanto tive alguns problemas com a componente técnica do jogo. O grafismo não me convenceu, assim como a arte e mesmo a jogabilidade pareceu-me demasiado simples, por isso acabou por ser uma grande surpresa ver que iria ser lançado uma sequela. Mesmo a história do primeiro não me pareceu ter a profundidade necessária num jogo deste género.

O primeiro jogo não tinha uma componente narrativa muito forte, ou pelo menos não a vendia da melhor forma já que sinceramente não me lembro de praticamente nada além de que o mundo estava cheio de zombies e nós fazíamos parte dos sobreviventes. Felizmente para os jogadores como eu Dead Age 2 não tem grande ligação ao jogo anterior. Podemos encontrar algumas personagens do jogo anterior, mas basicamente os mortos ainda caminham pelas ruas e alguns humanos também não são flor que se cheire e cabe à nossa personagem combater inimigos, encontrar aliados e sobreviver neste mundo.

Para sobreviver precisamos de mantimentos e o mapa do jogo mostra-nos uma série de localizações que podem ter água, comida ou materiais de construção. Aquilo que também abunda nestes sítios são inimigos. O primeiro Dead Age era um jogo desafiante e esta sequela não abranda o ritmo. Muitas vezes o jogo avisa que podem existir inimigos mas de nível baixo e quando chegamos ao local somos completamente rodeados de inimigos.

O combate de Dead Age 2 é tal como o primeiro jogo por turnos. A nossa equipa fica frente a frente com os inimigos e temos que utilizar armas de corpo a corpo ou armas de fogo para lidar com os inimigos. O sistema de combate é muito simples e isso foi um dos aspetos que não gostei no primeiro. Sinceramente não vi grande profundidade na jogabilidade e isso é importante num RPG. Todos os intervenientes do jogo têm uma ordem fixa no combate e existem apenas duas linhas de combate, a da frente e a de trás. As nossas personagens são automaticamente posicionadas na linha de trás mas isso não impede que os zombies as mordam na mesma se estiverem na linha da frente adversária. O jogo também tem um sistema de precisão que é um pouco difícil de perceber. Os inimigos parecem ter uma facilidade invejável de distribuir ataques críticos, no entanto as nossas personagens apenas parecem conseguir atingir com um dano considerável os inimigos que tenham sido já incapacitados de alguma forma.

Felizmente Dead Age 2 tem algumas áreas adicionais além do combate onde mostrar algo diferente. Um aspeto interessante é que temos de utilizar os mantimentos que recolhemos para manter a nossa base. Podemos melhorar algumas áreas da base e assim aceder a coisas como novo equipamento que podemos criar, quests secundárias entre outras. Este é na minha opinião o aspeto melhor conseguido de Dead Age 2. É algo que assenta perfeitamente na temática e está bem conseguido.

O combate pode ser simples mas não é mau e as mecânicas de “base building” são realmente interessantes, mas muitos dos outros sistemas precisam ainda de muito trabalho. Tal como o primeiro Dead Age, Dead Age 2 começou por uma fase em Early Access e há ainda tempo para rever coisas como o sistema de progressão e a forma como concluímos quests. O sistema de diálogo também precisa de trabalho já que facilmente clicamos na opção errada.

Dead Age tem uma componente alta de aleatoriedade e nem sempre joga a seu favor. Pessoalmente não consigo achar muita piada a um jogo em que temos pouco controlo sobre a forma como a nossa personagem evolui. Não podemos melhorar a sua força em vez da vida se quisermos por exemplo. Da mesma forma que as quests podem ter picos de dificuldade devido a essa mesma aleatoriedade. Rapidamente passamos de estarmos completamente no controlo e tranquilos para completamente perdidos e sem saber o que fazer para sobreviver ou reverter a situação.

Dead Age 2 é uma sequela perfeita para quem gostou do primeiro Dead Age. É pouco mais do que mais do mesmo e quem como eu não adorou o primeiro jogo não irá sentir grande vontade  de voltar para a sequela. É um jogo que nos mantém entretidos e é desafiante, mas não oferece muito no que toca a profundidade ou história.

Tiago Roque

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