Análise: Strangeland

Depois do impressionante Primordia em 2012, a Wormwood Studios está de volta, desta vez com Strangeland, uma aventura de terror psicológico que mostra o crescimento do estúdio, sendo um jogo mais polido e com melhor escrita que confirma o bom trabalho que estúdio faz neste género. A nossa personagem é um homem que acorda numa estranha ilha fluante sem memória e que vê uma mulher a morrer. Quem era a mulher e quem é a nossa personagem é um dos mistério do jogo, mas destruir um montro que vive neste local, com o nome de Dark Thing, é o verdadeiro objetivo do jogo.

A ilha é essencialmente uma feira que temos de explorar, repleta de perigos que nos podem matar. Felizmente podemos-nos rematerializar na área do hub novamente. Há um punhado de locais para explorar que ramificam a tenda principal, e vamos voltar a eles frequentemente nas cinco horas que Strangeland dura para completar, enquanto completamos os seus puzzles que por sua vez abrem novas áreas nas zonas antigas. Os locais que exploramos são o que seria de esperar de um cenário de circo abandonado. O jogo tem também uma dose enorme de surrealismo espanhado por todo o cenário e história. Cada área está repleta de personagens e criaturas interessantes para descobrir e tematicamente, os motivos sombrios combinam com as armadilhas surreais de Strangeland. E embora não pareça à primeira vista, tudo neste mundo está ligado.

Visualmente é um jogo soberbo, isto se gostarem de arte pixal e consigam viver com a falta de variedade de cores do jogo. Tudo está renderizado em 640×360 numa arte pixel desenhada com grande habilidad. Todos os temas e visuais do jogo bastante adultos e não recomendo o jogo a menores de idade, não apenas pelos visuais mas as temáticas requerem também alguma maturidade. As animações são suaves e sem movimentos bruscos perceptíveis. Até mesmo os menus são animados e refletem visivelmente os temas do jogo. Como referi acima, o jogo não tem grande variedade de cores e dada a temática isso é algo que consigo perceber perfeitamente, mas é algo que pode afastar alguns jogadores.

Em termos dejogabilidade não há muito a assinalar, Strangeland funciona exatamente como qualquer outro jogo de aventura point-and-click. Talvez a única nota a salientar é a velocidade de tudo, já que é algo que varia entre jogos e os jogadores costumam preferir jogos onde a personagem se move rapidamente. Aqui a velocidade de caminhada não é a mais rápida e não há um mapa de viagem rápida, mas clicar duas vezes nas saídas irá teletransportá-lo rapidamente para a próxima cena, um ponto positivo no meio de tudo isto. Em termos de puzzles, Strangeland é fantástico. Todos os puzzles são realmente divertidos e fazem sentido. Muitos jogos optam por seguir um pensamento “nonsense” ao criar os seus puzzles, mas aqui tudo faz sentido e os puzzles tornam-se melhores por isso. Eu digo tudo faz sentido mas refiro-me apenas aos puzzles na verdade, já que todo o jogo demora muito muito tempo para fazer sentido.

Strangeland foi escrito de forma inteligente um dos aspetos mais fortes do jogo é como ele usa conceitos do mundo real para criar um enigma convincente. O surrealismo não costuma ser descrito da melhor forma, sendo confundido com algo que não faz sentido e os criadores de Strangeland souberam exatamente como tratar o tema. O mundo do jogo é cativante e no geral o jogo tem um bom equilibrio entre dar as respostas ao jogador e deixar questões pendentes, cultivando o mistério. Não é um jogo perfeito e mesmo os puzzles que são um dos seus pontos fortes, têm um ou dois exemplos menos conseguidos. Mas Strangeland é realmente bom e os fãs do género têm aqui uma excelente proposta, especialmente aqueles que jogaram Primordial.

Tiago Roque

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