Análise: Skautfold: Moonless Knight

Skautfold: Moonless Knight é um action RPG sombrio desenvolvido por Steve Gal e publicado pela Pugware, lançado no Steam em 2020. Trata-se de uma das entradas mais ambiciosas dentro da série Skautfold, uma franquia que ao longo do tempo foi experimentando diferentes abordagens jogáveis. Se títulos anteriores se aproximavam de estruturas mais próximas de Souls-like ou até de shooters com controlo twin-stick, Moonless Knight segue um caminho diferente, apostando numa experiência mais centrada na exploração, fortemente influenciada pela filosofia Metroidvania.

O resultado é um jogo que mistura exploração interligada, combate metódico e uma narrativa carregada de horror cósmico, tudo embrulhado numa estética gótica muito própria. Não é um título que procure agradar a toda a gente à primeira vista, mas para quem aprecia sistemas exigentes e mundos densos em mistério, há aqui muito para descobrir.

Jogabilidade

A jogabilidade de Moonless Knight assenta numa base de exploração e combate que exige atenção constante por parte do jogador. O mapa do jogo é um grande espaço interligado, onde novas áreas vão sendo desbloqueadas à medida que adquirimos habilidades ou abrimos atalhos. Esta estrutura incentiva o regresso a zonas anteriores, não apenas para progredir, mas também para descobrir segredos que inicialmente estavam fora de alcance.

O combate é um dos pilares mais distintivos do jogo, graças ao chamado sistema de guarda. Em vez de depender apenas de pontos de vida e bloqueios simples, o jogo introduz uma barra defensiva que representa a capacidade do protagonista para aguentar pressão. Defender ataques com sucesso reduz essa pressão, mas erros ou timings falhados podem quebrar a guarda, deixando o jogador vulnerável a dano elevado. Isto cria um ritmo de combate mais tático, onde posicionamento e leitura do inimigo são fundamentais.

As armas também desempenham um papel importante. Existem diferentes tipos, cada um com vantagens e desvantagens claras. Armas pesadas causam dano elevado mas exigem maior compromisso nos movimentos, enquanto armas leves permitem maior mobilidade e rapidez. Como muitos inimigos surgem em grupo ou atacam de forma imprevisível, é essencial encontrar um equilíbrio entre ataque e defesa.

Outro elemento interessante é o sistema de progressão orgânico. Em vez de subir de nível através de experiência tradicional, os atributos evoluem consoante as ações do jogador. Sofrer dano pode aumentar a resistência, esquivar-se frequentemente melhora a evasão, e o uso consistente de uma arma aumenta a proficiência com a mesma. Isto faz com que cada jogador molde a sua personagem de forma natural, quase sem dar por isso.

Mundo e história

A narrativa continua o universo alternativo da série, conhecido como Império Angélico da Britânia, uma versão fictícia do final do século XIX e início do século XX onde tecnologia avançada e influências sobrenaturais coexistem de forma instável.

Neste capítulo, seguimos Gray, o Segundo Cavaleiro do império, enviado numa missão diplomática ao Império do Amanhecer, uma interpretação ficcional do Japão. O que começa como um encontro político rapidamente descamba em caos quando uma revolta liderada por um culto explode dentro do palácio imperial. Ao mesmo tempo, um evento cósmico ocorre nos céus: a Lua fragmenta-se, libertando forças misteriosas que começam a corromper o mundo.

Grande parte da aventura decorre no Palácio Imperial Oda, uma estrutura massiva composta por corredores interligados, jardins, salas cerimoniais e passagens secretas. A história não é entregue de forma direta ou expositiva. Em vez disso, o jogo aposta em narrativa ambiental, com descrições de itens, detalhes visuais e pequenos fragmentos espalhados pelo mundo. Cabe ao jogador juntar as peças e perceber como a rebelião política e o desastre cósmico estão ligados.

Grafismo

Visualmente, Moonless Knight adopta um estilo pixel art que combina inspiração retro com técnicas modernas de iluminação e efeitos atmosféricos. O resultado é um jogo que consegue ser simultaneamente nostálgico e visualmente rico.

Os cenários do palácio destacam-se pela variedade e detalhe. Desde corredores sombrios a pátios iluminados pela luz da lua, passando por câmaras subterrâneas inquietantes, cada área tem identidade própria. A fusão entre estética gótica e influências japonesas cria um mundo visualmente distinto, que se afasta do típico cenário de fantasia medieval.

A utilização de luz e sombra é particularmente eficaz na construção de ambiente, reforçando constantemente a sensação de perigo e mistério. Mesmo com uma paleta limitada, o jogo consegue transmitir uma atmosfera densa e opressiva.

Som

A componente sonora acompanha bem o ambiente visual, oferecendo uma banda sonora que alterna entre temas ambientais inquietantes e composições mais intensas durante combates. A música nunca se impõe em demasia, mas está sempre presente para reforçar o tom da experiência.

Os efeitos sonoros também contribuem para a imersão. Ecos subtis percorrem os corredores do palácio, enquanto os sons de combate transmitem impacto e urgência. Tudo isto ajuda a criar a sensação de que aquele espaço outrora grandioso está agora tomado pelo caos e pela corrupção.

Conclusão

Skautfold: Moonless Knight é um jogo que não facilita a vida ao jogador, mas também não pretende fazê-lo. O sistema de combate baseado na guarda pode demorar algum tempo a dominar, e a estrutura interligada do mapa pode inicialmente causar alguma confusão. Além disso, a dificuldade é exigente, com encontros que requerem precisão e paciência.

No entanto, são precisamente esses elementos que tornam a experiência recompensadora. À medida que o jogador domina as mecânicas e começa a compreender o layout do palácio, o jogo revela-se cada vez mais envolvente. A progressão orgânica e a exploração constante criam um ciclo de jogo viciante, onde cada descoberta tem peso.

No conjunto, este é um dos títulos mais refinados da série Skautfold. A combinação de exploração ao estilo Metroidvania, combate tático e uma atmosfera carregada de horror cósmico resulta numa experiência memorável. Não é um jogo para todos, mas para quem estiver disposto a investir tempo e paciência, oferece uma jornada rica, desafiante e cheia de personalidade.

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