Kaboomania não quer saber das regras modernas. O jogo atira-nos logo para uma arena caótica. É cheia de cor e perigo. Não há tutoriais aborrecidos. Não há apresentações que não interessam. A inspiração nos clássicos de labirintos e bombas nota-se logo. A acção é rápida, directa e dura.
O maior trunfo deste jogo é a forma como abraça o passado. Não é só o visual. O jogo foi mesmo feito para correr no Commodore Amiga real. Até tem direito a lançamento em disquete de 3.5 polegadas. Esta dedicação ao sistema dita todo o ritmo do jogo.
Jogabilidade
A acção vive do caos. Controlamos a personagem por grelhas apertadas. Pomos explosivos para abrir caminho e matar inimigos. Há mais de 1000 níveis criados à mão. A variedade de situações é enorme por causa disso. Os níveis mudam de aspecto e de ritmo a toda a hora. Os power-ups ajudam a gerir a confusão. Eles aumentam o raio das explosões. Também aumentam o número de bombas que podemos largar ao mesmo tempo.
Este poder todo é perigoso. O maior perigo em Kaboomania quase nunca são os monstros. Somos nós próprios. É muito fácil falhar um movimento. Ficamos logo encurralados pela nossa própria bomba. Basta um segundo de distracção. O ecrã explode e nós morremos. O pânico é constante.
Isto fica ainda melhor no multijogador local. Juntar até quatro amigos no mesmo sofá é uma festa. O jogo passa a ser uma batalha campal muito divertida. É aqui que o jogo brilha a sério. Há provocações e mortes por acidente a cada segundo.
O lado mau de ser tão fiel ao passado é a falta de confortos modernos. Não há checkpoints. Não há gravação automática. Para guardar o progresso temos de usar passwords. A cada nível novo recebemos um código. O problema é que o jogo vicia. Começamos a avançar sem parar. Quando damos por isso, esquecemo-nos de apontar a password. Perdemos o progresso de vários níveis. É uma decisão que traz o pior dos anos 90.

Mundo e história
A história serve só de desculpa para a acção. Scott Whiskers fica preso dentro do próprio videojogo. Agora precisa de encontrar uma saída. É uma ideia simples. Funciona bem para este género. Não precisamos de mais nada para correr pelos labirintos.
Grafismo
O visual é uma homenagem directa aos tempos do Amiga. Lembra jogos como Zool. A pixel art tem muita cor e é viva. O ecrã de início mostra uma secretária com um Amiga em pixéis. É um pormenor fantástico. Mas há cores e texturas a mais no ecrã de jogo. Às vezes fica caótico demais. Há momentos em que os olhos sofrem. Custa a ver o que é cenário e o que é perigo real.

Som
A banda sonora é excelente. A música foi feita pelo lendário Chris Huelsbeck. Ele é uma figura histórica do som nos videojogos. As músicas mostram bem a energia dos velhos tempos do Amiga. Mantêm a adrenalina sempre no topo durante as partidas.
Conclusão
Kaboomania funciona muito bem para quem tem saudades do Amiga. É óptimo para quem quer acção directa para jogar com amigos no sofá. O caos do multijogador e o som compensam os problemas da imagem. Mas há quem não tenha paciência para apontar passwords em papel. Quem prefere gravar o jogo de forma moderna vai apanhar muitas frustrações.

