Análise: Sengoku

Sendo um grande aficionado por todas as coisas nipônicas, devo revelar que a própria história do Japão é para mim um tema pelo qual tenho muito fascínio. Mas infelizmente, apesar deste interesse, nunca aprofundei muito o meu conhecimento sobre a história do Japão, deixando-me ficar apenas pelos pequenos detalhes da cultura japonesa ao longo dos tempos.

Sengoku é um jogo de estratégia em tempo real, que decorre durante a guerra feudal do Japão. Apesar de apresentar algum historial com jogos deste tipo, este toma uma abordagem bastante diferente ao termo “Estratégia” como por exemplo o StarCraft, algo que confesso que me apanhou um pouco desprevenido. A ideia aqui não é apenas melhorar as tuas forças de combate, e construir um exército suficientemente grande para obliterar qualquer força rival, este jogo tem uma forte vertente diplomática. O jogo tem duas moedas de troca, o dinheiro e a honra, algo que achei muito bem pensado pelos estúdios Paradox.

Afinal de contas estamos na época feudal do Japão, onde os chefes de família ao enfrentar situações onde o nome do seu clã pudesse vir a perder toda a sua honra cometiam Seppuku, um ritual suicida, tentando assim obter alguma honra para deixar aos seus descendentes. Sengoku é certeiro neste aspeto, adicionando este pormenor ao jogo, pois o caminho para dominares todo o japão é longo, e não o vais conseguir numa geração apenas.   Ao iniciar a sua campanha o jogador tem a opção de escolher como personagem um Líder de Clã, ou um Daimyo que governa debaixo deste como seu vassalo. Através de diplomacia e política, és incentivado a conquistar territórios inimigos não utilizando a força do teu exército mas, utilizando casamentos, esquemas de revolução, ou até laços familiares como armas de destruição maciça. Pois acreditem que o incesto pode ser a verdadeira lâmina de dois gumes. Posso descrever então este título como um verdadeiro jogo de interesses e políticas, com escolhas e métodos suficientemente diversos para afundares várias horas de jogo e ainda não saberes jogares com mais de metade do teu baralho!

Seria de esperar que um jogo assim tão complexo teria um bom tutorial, que te deixasse à vontade para enfrentar qualquer problema de uma maneira engenhosa. Mas não, não existe qualquer tipo de tutorial, as “dicas” que te aparecem são escassas, confusas e deixam-te a pensar que este jogo tem pouco a oferecer. Por isso se quiseres verdadeiramente ver a joia que este título pode ser prepara-te para gastares uma noite só a perceber tudo o que tens de fazer e levar em conta para o teu clã ter sucesso. Mas esta experiência pode ser muito enriquecedora, convida os teus amigos a experimentar, prepara-te para dar umas sessões de explicações, e após esta parte dolorosa desfruta de um modo multiplayer extremamente competitivo! Só não fiques chateado com um amigo teu se ele fizer uma revolução no clã contra ti. A nível de grafismo o jogo é confuso, apresentando um cenário lindo quando tens a câmara bastante afastada, mas quando aproximas de uma região a vista desaponta, especialmente se tiveres à espera de ver dois grandes exércitos a lutarem ferozmente. Porque tudo o que vais encontrar são dois bonecos com movimentos repetitivos e animações muito simples. Mas isto até pode ser encarado como uma coisa boa, desta forma não gastas tempo a ver estes combates mas a olhar para menus e aprofundar a tua estratégia. Apesar da banda sonora e sons especiais não serem marcantes, fazem um bom trabalho na emersão do jogador neste conjunto de ilhas que tanto encanto espalha pelo nosso mundo.

Tiago Roque

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