Análise: Sorcery

Pessoalmente não sou grande fã de controlos por movimentos, prefiro sempre os comandos tradicionais e quando uso o Kinect sinto sempre falta de botões. Por outro sinto também que em parte o meu sentimento se deve à falta de boas propostas para este tipo de controlo. Ao contrário da Wii onde temos grandes proposta, normalmente da Nintendo como o Mário Galaxy, para Kinect e Move há poucos títulos a fugir ao casual. Sorcery assume-se como uma das primeiras grandes propostas para o Move, oferecendo uma experiência próxima daquilo que podemos esperar de um titulo normal ao mesmo tempo que se distingue pelos controlos criando uma experiência inovadora. O processo de produção de Sorcery foi bastante conturbado, demorando vários anos desde a sua apresentação até ao lançamento, passando por vários re-designs até chegar aquilo que é hoje. Havia assim alguma expectativa em relação a Sorcery apesar de ser um jogo para o Move.

A história de Sorcery segue a jornada de Finn, um aprendiz de feiticeiro, que tenta salvar Erline a filha de uma rainha maléfica que fugiu e se refugiou junto de Dash o mestre de Finn. Não há nada de muito complicado ou surpreendente na história mas o toque irlandês/escocês dado ao jogo resulta bastante bem. O ambiente e a musica adaptam-se ao tema e Sorcery consegue fazer inveja aos jogos de Harry Potter. Os controlos foram bem afinados e raramente tive problemas. Obviamente nem sempre conseguimos fazer aquilo que queremos, mas isso é normalmente neste tipo de controlos. Possivelmente seria possível jogar Sorcery com controlos normais mas a verdade é que o Move torna-o bastante mais divertido e diferente. Apenas a movimentação da personagem está a cargo do DualShock ou Navigation controller, tudo o resto é feito com o Move. Para seleccionar o feitiço que queremos apenas temos que carregar no botão central do Move e fazer o movimento que corresponde ao feitiço. Quando o combate se torna mais frenético nem sempre é fácil escolher o feitiço que queremos, apesar do tempo abrandar enquanto escolhemos. Algo que achei particularmente interessante foi o uso de poções que requerem o movimento de mexer o frasco e o de beber.

Apesar de não haver um sistema de progressão da personagem tradicional há um sistema de poções que melhoram certos aspectos de Finn permanentemente, apesar de algumas apenas terem um efeito temporário. Estas poções podem ser preparadas a qualquer altura desde que se tenham os ingredientes certos. Todas as poções têm que ser descobertas por tentativa/erro através dos ingredientes que possuímos. Estes ingredientes estão espalhados por todos os mapas e podem ainda ser comprados num vendedor que aparece nos sítios mais improváveis.

Há cinco feitiços principais disponíveis, terra, gelo, fogo,vento e electricidade. Estes podem depois ser combinados para criar combos mais poderosos.Podem por exemplo utilizar o vento para criar um tornado e depois adicionar-lhe fogo para criar uma tempestade de chamas mais poderosa. Certos ataques funcionam melhor que outros contra certos inimigos. Nos níveis da floresta por exemplo há criaturas de cada elemento e é preciso utilizar o elemento oposto para os derrotar. Inimigos com escudo também requerem o uso do elemento terra primeiro para quebrar o escudo. Há um bom trabalho feito para que o jogador se sinta cada vez mais poderoso à medida que avança no jogo, no entanto isto também faz com que alguns feitiços pareçam muito mais poderosos que outros. O feitiço de terra é raramente utilizado, a não ser para quebrar escudos, e quando se adquire o feitiço de electricidade raramente se utiliza outro. Os feitiços mais poderosos demoram mais a recarregar, há uma barra que mostra o limite de vezes que podemos utilizar o feitiço e quanto mais poderoso este é, menor é esse numero.

Gostei bastante do tempo que passei com Sorcery, as personagens são agradáveis e é fácil preocuparmos-nos com o seu destino. Apesar de haver alguns aspectos do jogo que serão mais apreciados por públicos mais jovens,há muito que os jogadores mais velhos irão apreciar. Apesar de ser um jogo para o Move a jogabilidade é desafiante e há alguns combates bastante interessantes. A única coisa que não percebo é o tempo de produção que foi necessário uma vez que o jogo é relativamente curto e não há grande incentivo para ser jogado novamente a não ser o aumento de desafio que é grande nas dificuldades mais avançadas. Mesmo na dificuldade máxima não deverão demorar mais de seis horas a completar Sorcery.No fundo há apenas quatro ou cinco áreas e dois ou três bosses, sendo que apenas a luta final pode ser considerada realmente uma “boss fight”. No entanto apesar de haver poucas áreas todas elas estão bastante bem construídas e criam uma atmosfera de fantasia cativante.

 

Tiago Roque

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