Análise: Journey Collector’s Edition

Juntamente com Journey, esta edição contém também flOw e Flower, dois outros jogos lançados anteriormente pela That Game Company, assim como três “jogos”. Jogos entre aspas porque não passam de pequenos conceitos. Apesar da inclusão de flOw e Flower, é Journey que se destaca, não apenas por dar nome à coleção mas porque é realmente o melhor jogo deste pacote.

Journey quebra muitas das regras dos jogos atuais. É tal como o nome indica uma viagem. Uma pequena viagem de menos de duas horas de que nos vamos lembrar durante anos. Não existe qualquer HUD ou outro elemento que não o cenário e personagem e o sistema online é simplesmente inovador e brilhante. Não há muita informação sobre o seu mundo ou a história, ficando o jogador encarregue de tirar as suas conclusões, portanto se não o jogaram ainda não leiam o próximo parágrafo.

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Como se trata de um jogo pequeno, sem qualquer introdução é realmente difícil de falar sobre ele deixando de parte spoilers. Journey como jogo, é bastante simples. Vão percorrer o cenário com uma personagem resolvendo pequenos enigmas e recolhendo alguns símbolos brilhantes que aumentam os nossos poderes, mas o que está por detrás desse pequeno conceito e a forma como é executado é que é realmente brilhante.
Começam por controlar uma pequena personagem que apenas se pode mover normalmente e saltar um pouco e à medida que vão recolhendo símbolos vão ganhando liberdade de movimentos. A personagem tem uma especie de capa que pode representar essa tal liberdade e a sua saúde. À medida que ela aumenta vão poder saltar mais alto, planar e até voar. Isto ajuda bastante na minha interpretação da mensagem de Journey. Começamos o jogo sem poderes alguns, o que representa a infância, e à medida que vamos recolhendo símbolos e progredindo no jogo vamos tendo cada vez mais liberdade, o que representa a idade adulta.

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Passamos por momentos bons e maus, o que é representado pelos níveis divertidos no deserto em que deslizamos e voamos pelas dunas acompanhados por alegres criaturas, e pelo nível subterrâneo, negro e repleto de perigosas criaturas gigantes. Durante o jogo são mostradas pequenas cutscenes que nos mostram de uma forma bastante simbólica os cenário que acabamos de percorrer, mas perto do final somos confrontados com uma premonição do final do jogo e com a morte da nossa personagem. Apesar de tudo o que foi mostrado foi sempre real, existe sempre algo que nos diz que isso não irá acontecer.

Infelizmente a morte é inevitável, algo que me parece ser uma analogia perfeita ao ciclo da vida. Após a morte da personagem, esta é ressuscitada pelas mesmas criaturas vestidas de branco para uma última viagem que a leva até à luz visivel desde o início do jogo. Após essa última viagem tudo recomeça e esta é a eterna viagem de Journey. Esta é apenas a minha interpretação, não sei até que ponto está correta, mas se realmente estiver correto, Journey é a representação perfeita do ciclo de vida. Alguns outros pormenores podem também ser ligados a esta interpretação. Graças ao ótimo sistema online outros jogadores podem aparecer no nosso jogo. Nem sempre são jogadores reais, podendo ser controlados pela IA, sendo parte da diversão saber quais são jogadores e quais são IAs. Depois de créditos finais somos informados dos jogadores com quem jogamos.

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A forma como estas personagens aparecem e desaparecem, pode fazer também parte da minha interpretação. Sempre que jogamos com alguem sentimo-nos sempre mais seguros e como os jogadores se podem carregar uns aos outros, o jogo torna-se realmente mais fácil e quando nos vemos novamete sozinhos existe realmente um sentimento de solidão. Passar a vida acompanhado é mais facil e se essa era a intenção dos criadores, então ficou bem conseguido no jogo.

Tudo isto junto fazem de Journey um jogo simplesmente fantástico. Flower e flOw são também bons jogos com bons conceitos, especialmente Flower que é também um dos jogos mais belos da PS3, mas Journey é realmente o único que oferece algo de realmente novo, algo que nenhum jogo antes conseguiu. Journey consegue contar uma história sem dizer uma palavra e consegue transmitir uma mensagem bem mais forte que todos os jogos lineares que têm saído ultimamente.

 

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Se ainda não jogaram Journey não há realmente melhor forma de o fazerem. Juntamente com um dos melhores jogos desta geração recebem ainda Flower. Um jogo bastante original dos mesmo criadores no qual o jogador controla pétalas de flores num jardim, tendo como objetivo recolher mais pétalas. Todo o cenário é coberto de relva em que podemos distinguir todas folhas de relva individuais. É um regalo para os olhos e a jogabilidade é bastante divertida. flOw é também um titulo de grande qualidade. Tem um conceito interessante e uma componente artística ao nível dos seus dois companheiros do pack, especialmente no que diz respeito à componente sonora.

 

 

Tiago Roque

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