Análise: Journey of a Roach

Journey of a Roach tal como o nome indica é a história de uma barata chamada Jim que vive num mundo pós-apocalíptico. Esta não é uma barata normal, mas sim uma do tamanho de um humano e os insectos dominam agora o mundo. A missão de Jim é a de encontrar a ultima flor à face da terra e o resultado de todos elementos é o de um conto bonito como boas ideias. Sem diálogo em voz ou texto, a história é contada através de símbolos.

A primeira surpresa desagradável é a longevidade. Ao fim de 1 hora e meia o jogo chega ao fim e quando somamos tudo chegamos à conclusão que existem apenas 3 ou 4 áreas. Tendo em conta o preço pedia-se um pouco mais até porque se o tempo não foi gasto em tornar o jogo longo também não o foi em grafismo ou animação, dois outros elementos que são o mais básico possível. Journey of a Roach tem bom aspecto, mas não ao nível dos restantes jogos da Daedalic. Felizmente existem puzzles para nos atrasar senão o jogo duraria ainda menos. Como podem adivinhar pela falta de conteúdo não há muitos puzzles, mas pelo menos alguns são bons. Nem todos, mas dado que muitos jogos do género se têm afastado dos puzzles é bom ver que este tem alguns e alguns desses até são inteligentes.

ss_c473d69ddf4a73f0912b4716cdb860fe069598f0.1920x1080Não são apenas os puzzles que nos atrasam, porque a jogabilidade é o real culpado de o fazer, aumentando artificialmente a longevidade do jogo. Aquilo que torna Journey of a Roach diferente de outros jogos do género vem do facto de Jim ser uma barata. Jim pode subir paredes sem esforço, mas depois de trabalhar essa ideia e a colocar a funcionar, os criadores esqueceram-se de pensar em alguma utilidade para essa habilidade. Sim existem alguns itens que estão inacessíveis e temos que subir as paredes e tectos para os apanhar mas de resto não há nenhuma utilidade para esta habilidade. Outro problema é que esta habilidade tem que ser limitada uma série de vezes durante o jogo para que alguns puzzles funcionem, criando assim mais problemas que mecânicas interessantes.

Os controlos também não são muito intuitivos. Para nos movermos temos que recorrer às teclas WASD e ao rato para interagir com o ambiente. Maior parte dos jogos de aventura que joguei até hoje recorrem ao rato para mover a personagem e normalmente carregar num objecto faz com que a personagem se desloque até ele. Aqui para interagir com um objecto temos que estar muito perto deste. Isto além de ser contra intuitivo devido à experiência que temos, nem sequer é funcional. Mesmo coisas simples como o inventório estão mal pensadas aqui. Os itens no inventório aparecem como silhuetas e alguns são completamente impossíveis de reconhecer.

Mas há bons aspectos em Journey of a Roach. A história e o mundo são adoráveis apesar da personagem ser uma barata. As personagens que encontramos são também originais e engraçadas e o final é bastante satisfatório. Isto mostra que se a execução e algumas ideias fossem melhor pensadas podíamos ter aqui um jogo muito melhor.

Tiago Roque

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