Análise Montague’s Mount

Em Montague’s Mount jogamos com um protagonista sem nome que acorda numa praia sem se lembrar de quem é nem onde está. A ilha em que estamos está cheia de detritos e uma paisagem com artefactos de vários períodos da história. Mais ao menos ao mesmo tempo começamos também a ter visões fantasmagóricos de um jovem rapaz. São estas as perguntas que vamos tentando responder ao longo do jogo. Montague’s Mount tem uma premissa simples. Temos que explorar a ilha, encontrar os itens necessários para abrir as portas trancadas, resolver puzzles para abrir outras portas e avançar até rolarem os créditos.

Os controlos são limitados, até porque tudo o que precisamos de fazer é clicar em objectos e mover a personagem. A exploração é uma tarefa lenta e cansativa e a velocidade a que a personagem se move não ajuda nada. A ilha está repleta de lixo antigo e recente como já referi. Infelizmente além de boa decoração não parece existir função para metade destes objectos, mas alguns são precisos para resolver puzzles. Infelizmente grande parte dos puzzles sofrem dos mesmos problemas que maior parte dos puzzles de jogos de aventura, ou seja obedecem a regras que por vezes desafiam a lógica. Enquanto que os puzzles de física que estão na moda actualmente fazem sentido para toda a gente, aqui depende muito se entrarem dentro da lógica do jogo ou não.

Colocar pedras em um pedestal para abrir portas ou usar um remo preso para criar uma manivela que abre uma porta são coisas que fazem sentido, mas depois aparece uma ponte levadiça em que temos que usar uns cilindros coloridos para a controlar.São estas inconsistências que fazem de parte dos jogos de aventura injogáveis e aborrecidos. Mas o que mais prejudica o jogo é a sua lentidão em tudo o que faz. Além da personagem andar mais devagar que um bebé a gatinhar, alguns eventos demoram também eternidades. A ponte que mencionei por exemplo demora mais de um minuto a descer.

Como se a falta de lógica não fosse suficiente, há também uma completa falta de cuidado em dar algum contexto ao jogador. Muitos jogos podem não ter boas cutscenes para contar a história e como em jogos deste género estamos normalmente sozinhos, muitos optam por contar através de notas espalhadas pelos cenários. Montague’s Mount tem estas notas mas nenhuma delas ajuda a dar contexto. Montague’s Mount é suposto ser um jogo de suspense , mesmo assustador, mas a obscuridade e falta de orientação dos puzzles torna este bem mais frustrante do que outra coisa. Nem sequer parece ter havido atenção em ligar a história aos puzzles, ficando a sensação de que são separados e avançar um pouco na história é a nossa recompensa de resolver um puzzle.

Há pontos positivos. A ilha é interessante, especialmente com os objectos de várias épocas e realmente pede para ser explorada. A musica é boa e a grafismo decente e a até a personagem é original graças à sua bengala. Mas depois a execução é pobre e no fundo é por esta que o jogo vai ser lembrado.

5/10

Tiago Roque

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