Análise Chainsaw Warrior

Chainsaw Warrior, é a versão digital bastante literal do jogo de tabuleiro do mesmo nome. Além de escolher o seu equipamento, optando por disparar uma arma ou atacar corpo a corpo ou esperar pela próxima carta, tudo o que podemos fazer é jogar cartas, lançar dados e tentar conseguir o melhor resultado possível com a sorte que temos. Há uma sequência longa e desinteressante de geração de personagens no início do jogo, as estatísticas são baseadas em lançamentos de dados não havendo qualquer opção de re -roll.

Depois de configurado e equipado começa realmente o jogo. Temos 60 minutos para chegar às Trevas, não tempo de jogo, mas sim unidades que vão sendo gastas com acções. Existem dois “decks ” que irão usar completamente, e as Trevas vão aparecer no sorteio de qualquer carta. Chainsaw Warrior acaba por se jogar, como uma espécie de narrativa de ficção , menos qualquer história real para falar, com alguns menus adicionados de selecção de armamento . A imagem de fundo é estática e persistente, e bastante desinspirada. É incrível como um jogo em 2014 mantém o mesmo fundo do inicio ao fim.

Nestes tipos de adaptações é de esperar que a versão digital seja pelo menos um pouco mais dinâmica que a de papel. Infelizmente este é um jogo que não parece beneficiar de qualquer estratégia, ou pelo menos não transmite outra ideia. Desde o inicio ao fim nunca senti que o que eu fizesse mudasse realmente o desenrolar do jogo e eu me limitava a seguir um percurso já traçado. Desde o inicio tudo parece demasiado aleatório, a própria criação da personagem se resume a um lançamento de dados. Em dificuldades mais altas parece ainda existir um menor controlo e tudo o que podia fazer resultava sempre na minha derrota.

Depois há uma centena de pequenos erros, tanto gramáticos como de pronuncia que se vão acumulando à mediocridade que é Chainsaw Warrior. Muitos dessas pequenas gralhas foram sendo resolvidas em actualizações mas os problemas profundos ficaram, o que nos leva a concluir que é assim que vai ficar o resultado final. Infelizmente não posso realmente comparar Chainsaw Warrior com a sua versão física que acredito que seja bem melhor. Mesmo que seja exactamente igual é um formato diferente com expectativas diferentes. O facto de ser um meio físico muda as regras e a obrigação de uma adaptação deste género é adaptar os conceitos da melhor forma para uma verdadeira experiência de jogo pensada para ser um videojogo.

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Este é um problema que referi na análise de Space Hulk por exemplo. Não basta digitalizar o tabuleiro e esperar que apareça um bom jogo. Não há nada de realmente mau em Chainsaw Warrior, simplesmente não cumpre os padrões de bom videojogo, sendo apenas uma conversão de um jogo tabletop. Talvez se conhece-se e fosse fã do material original a minha opinião fosse diferente, mas esta versão não faz um bom trabalho a vender-se a si mesma nem a vender o material original.

2.5/10

Tiago Roque

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