Análise: Actual Sunlight

Actual Sunlight é um jogo criado por Will O’Neill, utilizando o RPG Maker VX Ace, algo que por si poderia ser algo negativo, mas que quando se olha através das suas limitações é um jogo com muitos pontos a seu favor. Este não é o comum jogo criado em RPG Maker. É um jogo que só pode funcionar graças à vontade do seu criador e graças à cena indie. É um dos jogos mais pessoais criados até à data.

É um jogo sobre diálogo e exploração e não um típico JRPG como a grande maioria de jogos criados recorrendo ao RPG Maker. Aqui exploramos a vida de Evan Winter, um homem deprimido que não vê razão para continuar a viver além de saber que há quem esteja bem pior que ele. Pode não parecer grande desculpa mas esta parece ser realmente a única razão que o faz continuar a viver. O jogo abre com um poema chamado “Why Kill Yourself Today When You Can Masturbate Tomorrow”, o que ajuda a mostrar o estado de espírito de Evan. Começamos por explorar o seu apartamento, encontrando itens que nos ajudam a conhecer Evan e os seus problemas.

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É a narrativa o importante em Actual Sunlight e a única razão para jogar o jogo. Não há grandes escolhas para fazer e o jogador pouco mais do que um espectador da espiral negativa que é a vida de Evan. Evan fala constantemente de suicídio e nunca esconde do jogador que isso vai eventualmente acontecer. Ao contrário da grande maioria dos jogos atuais onde a narrativa é uma desculpa para ação e serve apenas para ligar as partes jogáveis do jogo, aqui o jogo é a narrativa e o jogo nunca coloca pressão no jogador com consequências das suas escolhas por exemplo.

Seja qual for o desfecho da história, o jogador nunca se pode sentir culpado desse desfecho, ficando apenas com os sentimentos de pena que vêm da ligação. Todos sabemos que os nossos problemas no mundo moderno não são tão graves como os problemas que existem no mundo, no entanto não podemos negar que são problemas e apesar de tudo não é fácil viver num mundo moderno quando não se tem ou não se encontram razões para viver.

 

Tiago Roque

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