Análise: Uncharted: The Nathan Drake Collection

Uncharted é atualmente praticamente a imagem de marca da PlayStation. É sinónimo da qualidade do desenvolvimento interno da Sony e foi a série que mais consolas PS3 vendeu. Quem procurava razões para comprar a consola anterior da Sony encontrou-as quando Uncharted 2 saiu, se ainda não o tinha feito por causa de Uncharted Drake’s Fortune.

Ainda hoje muitos que optaram pelas consolas da Microsoft dizem que só têm pena de não poder jogar Uncharted. Por isso não é de estranhar que a Sony tenha lançado os três principais jogos da série com versões melhoradas na PS4. Estes são jogos obviamente fantásticos e dos mais influentes da geração passada. Nunca os jogos foram tão cinemáticos como depois do lançamento de Uncharted 2.

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As animações, o ritmo de jogo e o trabalho de câmara tornaram de Uncharted um marco da indústria e uma grande influência para todos os jogos que vieram a seguir. O trabalho de melhoramento gráfico é notório, apesar destes serem jogos já fenomenais na PS3, não há dúvida que a PS4 consegue aproveitar muito melhor o trabalho da Naughty Dog, como já tinha mostrado em The Last of Us. Uncharted Drake’s Fortune acaba por ficar um passo abaixo dos restantes.

Este foi o jogo que deu origem a tudo, mas foi também aquele que saiu mal a PS3 saiu e portanto fica longe da qualidade técnica dos restantes, compensando noutros aspetos. É um jogo mais curto, oferecendo uma história mais concentrada e toda uma experiência menos cinemática que os jogos seguintes. A própria jogabilidade não está ainda tão refinada, com animações mais pobres e menos cuidadas do que aquilo a que série nos viria a habituar. Mesmo com esta versão remastered nota-se claramente que este é o jogo mais pobre graficamente.
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Todos os jogos estão presentes tal e qual nos lembramos deles e apesar de notarmos claramente a diferença quando colocamos os jogos lado a lado, o primeiro impacto é a de que estamos a ver os jogos tal e qual eles eram. A principal falha desta versão é a falta dos modos online de Uncharted 2 e 3, no entanto tendo em conta que quem comprar esta versão tem acesso à beta online de Uncharted 4, tudo isso parece ser menos importante. As novidades em termos de conteúdo também podiam ser mais.

Além das melhorias gráficos e o modo fotografia não há muito para falar realmente. Mas apesar de estarem presentes, esses modos nunca foram a principal razão de compra de um Uncharted. A história sempre foi o foco da ação e nessa ninguém mexeu. Drake é um caçador de tesouros meio mercenário descendente de Sir Francis Drake um explorador. No primeiro capitulo desta saga ele começa por procurar o diário perdido de Francis, acabando por o descobrir e descobrir as pistas que o levam ao El Dorado, que se revela algo bem diferente do que seria de esperar.

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É aqui que começamos a conhecer as personagens fundamentais da série, Drake, Victor Sullivan e Elena Fisher. Victor Sullivan é o parceiro de aventuras de Drake e a principal fonte de financiamento e sobre a qual aprendemos mais no terceiro jogo da série, Drake’s Deception, assim como alguma da infância de Drake. Elena Fisher é uma jornalista que está a seguir a pesquisa de Drake, acabando por se tornar uma paixão deste e futura presença constante na série. Em Among Thieves, Drake que parece colecionar más companhias e vai fazendo alguns inimigos ao longo dos anos é traído enquanto rouba um artefacto de um museu turco que é uma pista fundamental para encontrar o caminho para Shambhala, um local místico onde está a pedra Cintamani que reza a lenda tem poderes mágicos e da qual apenas um fragmento tornou grandes nomes da história como Gengis Khan quase invencíveis.

Os vilões da série tornaram-se memoráveis desde este jogo, Among Thieves. Enquanto Gabriel Roman e Atoq Navarro eram vilões bastante genéricos, Zoran Lazarevic é implacável e Harry Flynn é traidor que queremos derreter ao murro. Chloe é uma nova personagem feminina que faz uma espécie de papel de Bond Girl, ficando entre o inimigo e o aliado mas que traz tensão com Elena. O terceiro jogo da série e o último presente nesta edição segue a estrutura dos anteriores e depois de uma introdução e alguns flashbacks sobre a infância de Drake e o encontro com Sullivan começamos à procura de cidade perdida de Ubar, o que nos leva a novas localizações no deserto que é algo novo na série que já tinha explorado os ambientes gelados do Nepal e as florestas tropicais. O vilão agora é do sexo feminino, Katherine Marlowe constrasta com Lazarevic, trocando o lado implacável e furioso por uma personalidade mais fria e calculista.
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Tudo isto está presente num jogo apenas, no entanto pessoalmente acho que o Goldens Abyss da PlayStation Vita podia facilmente estar presente, assim como Fight for Fortune. Mas os três jogos principais são na mesma um pacote fenomenal. Estes são sem dúvidas dos melhores jogos que a PS3 teve para oferecer e chegam agora à PS4 melhores do que nunca e numa edição apenas.

Infelizmente os modos online competitivos e cooperativos ficaram de fora, mas o principal está presente. Se há alguma coisa que não gosto nesta edição é o facto de termos que abandonar o jogo para trocar entre os vários jogos da série, mas é algo que é comum nestas edições e tenho a certeza que não há muito a fazer nesse aspeto. Mas o restante é tão ou mais fantástico do que aquilo que me lembrava na PS3 e pelo preço de um têm três jogos fenomenais. Não há qualquer razão para não jogar Uncharted pela primeira vez ou para atualizar a coleção. Vendam as três caixas que têm da versão PS3 e comprem a mais compacta versão PS4.

Tiago Roque

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