Análise: The Incredible Adventures of Van Helsing

É quase impossível pegar num Action RPG como este sem o comparar com o jogo mais influente do género a série Diablo. Tal como outros jogos em que a Blizzard praticamente ensinou a toda a gente como é que um género devia funcionar, Diablo serviu de exemplo para quase todos os jogos do género que se seguiram.

The Incredible Adventures of Van Helsing é um Action RPG da Neocore que chega agora à PS4 depois de toda a trilogia e uma versão revista desta ter sido lançada no PC. A decisão de lançar apenas o primeiro jogo na PS4 quando uma versão revista que inclui toda a trilogia já existe no PC é uma decisão errada e demasiado gananciosa no meu entender. O único objectivo da editora é capitalizar com cada jogo da serie para depois talvez lançar a versão completa tal como fizeram no PC, mas enquanto que no PC isto se deveu ao desenvolvimento, aqui as razões são puramente económicas.

Apesar de existirem 3 classes jogáveis, a jogabilidade é semelhante e a personagem mantém-se. O jogador controla o filho da clássica personagem Van Helsing, que os jogadores mais cultos literariamente conhecem do livro Dracula, mas os restantes talvez associem ao filme do mesmo nome ou a série da Netflix. Aqui Van Helsing é um caçador de monstros que se faz acompanhar por Katarina, uma fantasma bastante útil em combate. A narrativa e mundo do jogo é sem duvida o maior atrativo do jogo. Todo este se desenrola em Borgovia, uma terra que lembra a Transilvania no início mas que depressa passa para algo remanescente de uma Inglaterra vitoriana num universo Steampunk.

Juntamente com a narrativa de cientistas malucos e uma Borgovia dominada por estranhas criaturas Steampunk e maquinas dignas de um clássico B-Movie, The Incredible Adventures of Van Helsing conta com todo o lore e criaturas da literatura clássica, principalmente os Lobisomens, Vampiros e Fantasmas. E depois temos o humor e referencias ao cinema e outro jogos. Desde encontrarmos uma personagens semelhante ao Gollum a falar do seu precioso e que depois de derrota nos dá um anel poderoso a perguntas sobre o significado da vida em que podemos responder 42, as referencias são muitas e sempre divertidas.

O principal problema do jogo acaba por ser a jogabilidade. Usar os dois ataques é simples e funcional, mas quando queremos misturar varias habilidades e truques tudo se torna demasiado complicado demasiado rápido. Este problema já existia na versão PC original e não é demasiado prejudicial. A evolução da personagem nos níveis mais altos é também um pouco lenta. Apesar de receber-mos 3 pontos de habilidade por cada nível ganho, as habilidades do final da arvore de habilidades requerem todos os 3 pontos por cada nível subido ou habilidade aprendida.

The Incredible Adventures of Van Helsing é diferente da concorrência principalmente pelo mundo que nos oferece, a qualidade da história, humor e atenção ao detalhe. A forma como brinca com o status quo do género quando Van Helsing diz por exemplo depois de apanhar um peixe num rio que não consegue deixar de pensar que o deveria dar a Katarina fazendo referencia à mecânica normal do género de dar comida aos pets que normalmente acompanham a personagem é prova desse humor. Apesar de a história não ser long e não existirem assim tantas quests secundarias, facilmente ocupamos 10 horas com o jogo, coma historia a ocupar cerca de 8 e o jogador a poder ocupar algum tempo com o modo de Tower Defence que o jogo também contém.

Com a Neocore com planos para lançar os restantes jogos na consola acredito que seja implementado o sistema de importação de personagens dos jogos anteriores que tenham atingido o nível 30. Apesar da qualidade inegável do jogo, não posso deixar de realçar que apesar de tudo, o PC é a melhor plataforma para aproveitar o jogo e que a decisão de lançar o jogo individualmente quando no PC já saiu uma versão revista com toda a trilogia é difícil de compreender.

Tiago Roque

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