Análise: A Múmia

Pela terceira vez a múmia renasceu. Depois do original a múmia da Universal voltou passado alguns anos para uma série de filmes que acompanhou os monstros do estúdio durante anos. Mais recentemente a múmia voltou aos ecrãs, num registo que tinha muito mais de Indiana Honda do que do horror quase Slash dos originais, a saga de Brendan Fraser é talvez aquela que mais reconhecimento deve ter hoje em dia.

Numa tentativa de imitar aquilo que a Marvel faz e bem e lhe deu tanto lucro e reconhecimento, a Universal tenta com este filme iniciar o seu Dark Universe, onde irá reunir todos os monstros clássicos que trouxe para o cinema no século passado. Sem um bom filme para saber se a ideia tem pernas para andar, não dando tempo para o público criar ligações com as personagens, como a Marvel fez, a Universal comete o seu primeiro erro.

Aliada ao excesso de confiança, está a fraca qualidade do filme que supostamente irá dar início ao universo partilhado. Digo aqui supostamente porque já anteriormente houveram planos para começar este universo, especialmente quando Dracula Untold foi lançado. O filme que apesar de tudo me parece melhor que está múmia, acabou por ter grande sucesso e os planos para dar início ao universo partilhado foram adiados.

Apesar de todo o poder das estrelas de Hollywood A Múmia não consegue ser um regresso ao sucesso. Nenhuma das personagens se impõe e pessoalmente não fiquei a conhecer nenhuma das personagens. Nada nas suas motivações se destaca e para ser sincero nem o nome da personagem de Tom Cruise me ficou na memória. Os monstros em si são o melhor do filme. Sofia Boutella faz um bom trabalho e é talvez o único factor redentor do filme, apesar de tudo é a única personagem que acabamos por conhecer, em que percebemos os seus motivos e sentimentos. Tudo o resto é o mais superficial possível, com a construção das personagens a ficar para segundo plano, com as grandes sequências com recurso a CGI a ficar em primeiro plano. Russell Crowe faz uma boa interpretação de Dr. Jenkyl mas novamente os seus motivos não são óbvios e a interpretação de Mr. Hyde perde o seu significado filosófico para se tornar apenas mais um monstro.

A história em si é um recontar da mesma história de sempre, apenas com uma inversão de género que se tem tornado habitual, mas a história em si é a mesma. Não há nada de realmente errado aqui e visualmente é sem duvida um bom exemplo de cinema. Os problema são os que assinalei anteriormente e esses tornam o filme uma experiência difícil de recomendar.

Tiago Roque

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