Análise: Thor Ragnarok

Thor tornou-se um pouco o patinho feio do Universo Cinematográfico da Marvel. Apesar de nenhum filme no MCU ter sido mal recebido, os filmes do deus do trovão acabaram por ser sempre os menos bem conseguidos. Não que fossem maus mas quando comparados com o Soldado do Inverno por exemplo ficavam sempre uns degraus abaixo, com o segundo filme da saga Thor a ser considerado até talvez o pior filme no MCU. Isto até sair Thor Ragnarok que se torna o melhor filme da saga Thor, um dos filmes com mais piada de todo o MCU e vou até mais longe ao ponto de dizer um dos melhores.

É difícil não parecer um verdadeiro vendido quando analiso um novo filme do MCU, quando a cada filme que sai acaba por incluir a frase, um dos melhores filmes da MCU e um dos melhores filmes de super-heróis de sempre. Mas a realidade é que a Marvel ao poucos e sem ligar ao que ninguém fazia tornou-se mestre do seu género e a realidade é simples, a Marvel inventou a moda dos universos cinematográficos e todos os que se seguiram fizeram-no porque a Marvel obteve os resultados que obteve. Mas falemos de Thor Ragnaork. Ragnarok faz por Thor aquilo que o Soldado de Inverno fez pelo Capitão América. Ao praticamente destruir tudo o que sabíamos sobre o deus trovão e reconstruindo sobre o que sobra. Quem que faz de Thor, Thor?

Até este filme Thor era o super herói de cabelo comprido que basicamente era um deus mas não era bem, tinha um martelo de onde vinha o seu poder que era indestrutível e ele tinha de constantemente merecer, tinha o cabelo loiro comprido e que tinha um gosto pela terra que o tornava mais próximo desta do que de Asgard até.Tudo isto é posto em causa e até removido durante o filme, no fundo para criar um novo e melhor Thor.

O filme começa com Thor a explicar por onde andou desde Age of Ultron, oferecendo alguma exposição que apesar de ser a forma mais preguiçosa de contar uma história é aqui usada em conta e medida apenas no inicio e em alguns diálogos de Hela, a vilã do filme. A exposição em Hela é onde é mais necessária porque Hela não é uma personagem qualquer, é muito importante e tem uma ligação à família de Thor que precisa de alguma explicação. Apesar de este ser um filme de Thor a saga na banda desenhada que mais elementos tem em comum com o filme é o Planeta Hulk. Toda o segundo acto do filme é passado em Sakaar, planeta em que na BD Hulk organiza uma revolução de gladiadores, tornando-se líder desse mundo. Apesar de Ragnarok apenas ir buscar alguns elementos dessa saga, é talvez  a influência mais directa.

Aquilo que Thor Ragnorok tem de melhor é o seu equilíbrio. A forma como equilibra o humor, acção e os seus momentos mais dramáticos é quase isenta de erros. Por vezes há sempre alguns momentos onde o espectador pode ficar com a ideia de que houve uma piada a mais, mas no geral o equilíbrio é perfeito, sem nunca se tornar demasiado sério, mas nunca também arruinando um momento dramático com uma piada. Muitos dos elementos que o filme poderia explorar para algo mais sério são usados para uma piada e isso não é mau de todo, quando bem feito o resultado é positivo e é o caso aqui.

Nas áreas técnicas Thor Ragnarok é também um filme difícil de criticar negativamente. Não é fácil superar Guardiões da Galáxia em termos visuais e sonoros mas Thor se não é melhor é pelo menos igualmente bom. A cor que falta aos filmes da Marvel passados da Terra e estão em demasia até em nos filmes dos Guardiões aqui estão na perfeita medida e a banda sonora mantém a qualidade ao mesmo tempo que não se baseia no efeito nostalgia.

A direção é portanto de mestre mas em termos de actuação ninguém se destaca realmente. Mas isso deve-se à qualidade geral. Todos os actores fazem um trabalho tão bom com uma escrita tão boa que é impossível destacar alguém pois todos eles se destacam pela qualidade.

Tiago Roque

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