Análise: RollerCoaster Tycoon Classic

Com a originalidade a surgir cada vez menos em todos os meios, desde o cinema à musica e aos videojogos, aquilo que nos tem oferecido constantemente as melhores experiências do ano são as versões remaster que têm saido no mercado. Um dos jogos que ressurgiu recentemente é o original RollerCoaster Tycoon, o jogo de simulação de parques de diversões que é um dos maiores clássicos do género.

Com todos os remasters é preciso olhar para este jogo com um olhar diferente. O grafismo por exemplo não sofreu grandes alterações e RollerCoaster Tycoon continua a ser um jogo 2D com arte pixel bastante detalhada para a época. Mas aquilo que certamente irá deixar alguns jogadores pouco interessados em voltar a um clássico que foi lançado à quase 20 anos é a interface datada. É simplesmente incrível ver a forma como algo que nem sequer depende assim tanto dos constrangimentos do hardware evoluiu tanto nos últimos anos. Nada no jogo parece realmente óbvio, com ícones responsáveis por acções que não são imediatamente perceptíveis. Mas este é um problema demasiado comum neste género ainda actualmente para poder criticar demasiado RollerCaster Tycoon, especialmente porque nos restantes aspectos justifica perfeitamente porque chegou ao ponto de ser considerado um clássico.

Não existe qualquer modo história ou outra coisa qualquer complicada, sendo todo o progresso feito através de cenários e objectivos que temos de cumprir. Cada cenário acaba por ter uma certa dificuldade especialmente devido ao terreno que vai variando entre plano e montanhoso ou com mais ou menos água. A atracão do jogo acaba por ser a liberdade que nos dá e a forma como oferece diversão correspondente ao interesse que demonstramos pelo jogo. Sejam vocês jogadores dedicados ao género que tentam melhorar cada aspecto do vosso parque, desenhando as montanhas russas e configurando o mais pequeno pormenor para agradar aos visitantes, aumentar o seu numero e ter o máximo de lucro ou um jogador completamente casual que simplesmente usa as montanhas russas pré desenhadas do jogo com as definições todas em default, o jogo consegue ser permissivo o suficiente para albergar todo o tipo de jogadores.

Não é justo comparar RollerCoaster Tycoon com jogos do género recentes porque por muito bom que este clássico seja, dificilmente consegue competir contra melhores grafismos e sensibilidades de jogabilidade modernas e todo o refinamento da UI que tem aparecido. A sua própria existência na Steam nesta versão é justificada apenas como tributo e nostalgia. Mas mesmo com todos estes constrangimentos muitos jogos lançados recentemente e com todos esses pontos a seu favor têm dificuldade a serem melhores que RollerCoaster Tycoon naquilo que o torna realmente bom, a simplicidade e poder e liberdade que nos dá. Simplificar deve ser feito de uma certa forma, dando ao jogador as ferramentas que ele precisa para fazer exactamente o que quer de forma simples, independentemente da complexidade daquilo que ele quer fazer. É nisto que RollerCoaster Tycoon continua a ser melhor que a grande maioria da concorrência, mesmo com uma UI completamente desactualizada.

Tiago Roque

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