Análise: Pylon: Rogue

Pylon: Rogue é um jogo que apesar de semelhante a muitos jogos para PC do passado apoia-se mais fortemente no lado da ação do na aventura, com alguma progressão de personagem padrão normal dos jogos RPG e que se é tão standard que qualquer jogo que não a inclua actualmente irá sofrer para se justificar. Apesar de ser fã do género, a realidade é que não sou nem de longe nem de perto tão fã do género como os criadores de Pylon: Rogue, que são um grupo de criadores verdadeiramente apaixonados e, por isso, é um jogo pensado para uma fatia muito fina do mercado de jogos.

O jogo foi pensado como um clássico roguelike, e como tal  Pylon: Rogue adora matar-nos e a morte se tornará a companheira mais próxima. O jogador só pode realmente recarregar HP na loja antes de entrar em cada nível, isto se tiver dinheiro para isso. Isso não quer dizer que os colectores de saúde não apareçam, mas são tão raros que nunca aparecem quando realmente precisamos deles. Pylon: Rogue é como uma espécie de jogo de tabuleiro divido em níveis e sub-etapas. Antes de entrar em cada sub-etapa, o menu permite saber quantas portas podemos esperar. Estas estão divididas por portas que temos de entrar. Uma vez dentro de uma porta, é nos apresentado um objetivo que deve ser realizado antes de poder abrir outra porta. Esta estrutura mantém durante todo o jogo e apesar de tudo tem alguma originalidade no género.

É um sistema divertido nas primeiras vezes, mas descobrimos rapidamente que Pylon: Rogue não é uma fácil e torna-se rapidamente difícil e frustrante. Cada vez que o jogador limpa uma área desbloqueia outra porta, mas também recebe um baú cheio. Jogando com os personagens iniciantes, esses baús recompensam-nos com dinheiro e poderes. Depois de limpar salas suficientes, uma saída será exibida e podemos sair da área, marcando-a como concluída. Se estivermos com sorte, podemos terminar cada área e ganhar um baú ainda melhor. Depois de completar um nível, um bloqueio da área final é quebrado e, quando completamos níveis suficientes,  podemos enfrentar o nível final e passar para o próximo mundo. Tudo parece fácil, mas o jogo está sempre um passo à frente à procura de nos complicar a vida. Infelizmente o jogo não faz um bom trabalho a equilibrar a dificuldade e enquanto que os primeiros mundos são horrivelmente difíceis, os mundos mais avançados são muito  mais fáceis, especialmente por termos acesso a outras personagens.

Os inimigos são muito variados em termos de design e poder, no entanto a variedade não parece depender muito do mundo em que estamos, deixando com que muitos inimigos parecem simplesmente fora do lugar. De qualquer forma, a questão é que muitos inimigos disparam projécteis e muitos deles obrigam-nos sempre a sacrificar um pouco de HP para os conseguirmos derrotar. Isso não seria um problemas em jogos como Diablo mas aqui é. Isso significa que temos que sofrer um dano e isso significa que morremos muito mais rápido com um personagem lento. Eles têm algumas habilidades para ajudar com isso, mas ainda há inimigos programados que não podemos evitar.

Visualmente Pylon: Rogue tem bom aspecto mas os cenários muitas vezes parecem um pouco cheios a mais. O mecanismo funciona bem, mas os modelos das personagens são muito parecidos e não se distanciam suficientemente do cenário. Os inimigos são muitas vezes  pequenos e isso torna quase impossível vê-los no nível da selva e quando há projecteis envolvidos quase que se torna impossível não sofrer dano. O combate é pelo menos bastante gratificante. Tudo é realmente suave e o combate é muito satisfatório.  Onde o combate fica ainda melhor é com o sistema de combinação. É tudo o normal de um hack-n-slash, mas os ataques padrão podem ser encadeados com ataques especiais e defensivos. Este é o melhor aspecto do jogo.

A dificuldade de Pylon é aquilo que mais divide a minha opinião. Não tenho nada contra a dificuldade em geral, mas acho que normalmente o que acaba por fazer a diferença é o acumular de dano que é quase inevitável. Isso deixa o jogo a parecer injusto e desequilibrado. Tudo o resto é realmente agradável, mas a dificuldade irá fazer com que a maioria desista antes de conseguir apreciar tudo o resto.

Tiago Roque

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