Análise: Crest

Crest é um jogo de simulação do tipo God Game que faz a uma simples pergunta “E se houvesse apenas a palavra?”. Alguém pode guiar uma civilização apenas com a palavra? Bem, julgando por certos líderes do mundo do passado e até alguns do presente eu diria que sim. Parte experiência, parte de God Sim, Crest faz uma experiência interessante em como as palavras são interpretadas. A jogabilidade de Crest baseia-se no domínio de 2 substantivos e um verbo. O jogador tem todos os verbos para começar, mas com o tempo ganhará mais substantivos, permitindo que ele estenda o repertório de comandos e assim conseguir um melhor controlo sob os seus seguidores. As palavras são meramente influenciadas pelo povo e somente pelos crentes do jogador. Isso os torna mais propensos a fazer algo em vez de um comando sólido. Interpretação também ocorre, então algumas áreas podem usar as nossas palavras de forma um pouco diferente do que aquilo que queríamos dizer e podemos apoiar ou condenar essas decisões.

O objetivo geral é tentar que a nossa civilização não caia em desgraça e talvez até conseguir orientá-la para a grandeza usando as palavras. A experiência de jogo é muito simples e a palavra é praticamente tudo que o jogador pode fazer. As pessoas, o ecossistema e praticamente todo o mundo funciona em seu próprio sistema e se o jogador por exemplo matar todos os animais, provavelmente vai morrer de fome. Mas como estes são extremos que resultam de muito esforço, a realidade é que na maioria do tempo o jogador pouco tem para fazer. Esse é provavelmente o grande problema do jogo, o jogador tem uma contribuição tão pequena que gasta muito mais tempo simplesmente observando.

Existem algumas outros pequenos problemas que atormentam o jogo. Apesar de graficamente o jogo ser bonito, o framerate é atroz, vacilando entre 20 a 30 durante a maior parte do tempo a 1080p. Para um jogo que parece tão leve de correr é difícil desculpar uma implementação técnica a este nível. Até entendo que o jogo tenha por vezes muitos objectos no ecrã, mas até o Mario 64 tinha mecanismo para baixar o número de polígonos no ecrã quando não era necessário tanto detalhe por isso vou assumir que estes problemas deviam ter sido previstos e prevenidos.

Crest é uma experiência promissora que se baseia em palavras e que no geral funciona bem. Pode ser apreciado como um divertido God Sim com um toque interessante. Um género que viu o seu auge em jogos como Black & White e tem desaparecido aos poucos, um pouco como os RTSs. Infelizmente tecnicamente é um jogo fraco apesar do bom aspecto e as suas ideias são boas mas tornam o jogo um pouco lento demais para a grande maioria dos jogadores.

Tiago Roque

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