Análise: Chuusotsu! 1st Graduation: Time After Time

Chuusotsu! 1st Graduation: Time After Time é um colorido e peculiar visual novel composto por um elenco de jovens que são um pouco deslocadas socialmente e que estão a tentar encontrar o caminho de volta à sociedade, apesar das suas circunstâncias e é também o primeiro romance visual da Studio Beast a ser lançado na Steam, pelo menos até onde o meu curto conhecimento da área me leva a crer. Apesar de ser um jogo bastante inclusivo em termos de idades e os planos para localizar o romance visual e publicá-lo na Steam não dependessem de uma campanha Kickstarter, esta existiu para melhorias, adição de conteúdo e cobertura dos custos de localização. Esta localização chega-nos pela Fruitbat Factory que tem feito um trabalho fenomenal nestas conversões e este Chuusotsu! 1st Graduation: Time After Time é mais um bom exemplo

Chuusotsu! 1st Graduation: Time After Time passa-se num mundo onde o valor de uma pessoa na sociedade é determinado pelo selo de autorização distribuído pelo governo, Chuusotsu! conta a história de um grupo de estranhas raparigas que não obtiveram selos de autorização e foram assim rotuladas como fracassos na sociedade. A premissa tem muito em comum com a de livros como Divergente, mas depois elabora a partir daí em algo muito diferente. Entre o elenco de personagens está a jovem Marisugawa Arue, que foi incapaz de obter seu selo de autorização devido a algumas circunstâncias fora do seu controle. Arue agora sonha em ser capaz de obter um emprego no governo, mas sem um selo de autorização seu sonho é impossível, a fim de realizar seu próprio sonho, ela será obrigada a participar num programa que lhe concederá um selo de autorização se for bem-sucedida. Infelizmente, o programa exigirá que Arue viva sob o mesmo teto de um ex-líder de gangue chamado Koiro e de uma jovem louca chamada Arara. Os três serão obrigados a trabalhar juntos para resolver os desafios dentro de um certo período de tempo, mas com a falta de força mental de Arue, a personalidade de Koiro e a falta de interesse de Arara tudo se torna bem mais difícil mas a história bem melhor.

Este é um romance visual em que jogador pode sentar-se e apenas desfrutar de clicar na história e no texto. Não há nenhuma decisão a tomar e a história não é muito longa, tornando-a mais uma experiência casual. Pessoalmente não tenho nada contra isso. Não é por causa das decisões que a história se torna melhor nem é por causa delas que este tipo de experiências se tornam mais próximas de um jogo. A jogabilidade é incrivelmente simples, mas o “jogo” tem algumas qualidades redentoras que compensam isso, sendo uma dessas o facto do mundo parecer adorável e fofa do lado de fora mas no seu intimo aquilo que temos é uma distopia cruel e interessante. Outra qualidade redentora do romance visual é que muitas peças do enredo e da história são realistas na medida em que podemos ver algumas dessas coisas a acontecer na sociedade de hoje.

Os gráficos são coloridos apesar de não serem particularmente únicos. Os gráficos enganosamente bonitos adicionam um toque único ao tom geral do romance visual, enquanto isso não é uma ideia nova, já que essa ideia tem sido usada frequentemente em séries de anime. Os gráficos coloridos são um dos pontos fortes deste género de “jogos”, mas a história em si é muito mais negra do que estes visuais nos levariam a crer. Se gostam do género e não têm problemas com falta de decisões e histórias mais sérias muito dificilmente irão encontrar uma visual novel melhor do que Chuusotsu! 1st Graduation: Time After Time.

Tiago Roque

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