Análise: Megadimension Neptunia VIIR

Quem costuma visitar o ComboCaster ou conhece a saga sabe que nesta série existem deusas que representam metaforicamente diferentes consolas e editoras e a história centra-se nas guerras de plataformas e outras misturas de conceitos da industria que são adaptados a uma história mais ou menos coerente.

Megadimension Neptunia VIIR é o mais recente desta série e é uma versão melhorada de  Megadimension Neptunia VII, lançado à pouco tempo para PS4 mas pouco impressionante gráficamente. Apesar dos gráficos serem nítidos, existe uma clara diferença entre elementos do jogo e enquanto alguns parecem realmente da geração atual, muitos assets parecem vir da geração PS3 e têm vindo reciclados desde aí  e isso mantém-se em muitos elementos do jogo como os inimigos reciclados, os recursos limitados de diálogo com personagens 2D e a abordagem preguiçosa do design do ambiente.

O combate também não está propriamente polido e original. Há um sistema de combinações que se fica por uma promessa uma vez que não está muito elaborada. Cada personagem extrai AP e SP para executar os movimentos desejados, mas o jogo nunca explica o que um deles é, mas facilmente se consegue progredir na  aventura sem considerar qualquer tipo de estratégia. O sistema supostamente depende do posicionamento geométrico das deusas, mas na grande maioria dos casos acaba por ser quase irrelevante dada a diferença de dano entre o jogador e os inimigos.

A história também é bastante genérica quando comparada com outros jogos da série e mesmo as personagens estão alguns pontos abaixo do que a série já apresentou antes. Algumas personagens apresentam traços de personaliade que nunca são devidamente explorados, o que não faz qualquer sentido e esta abordagem insatisfatória do desenvolvimento das personagens  acompanha o desenvolvimento insatisfatório da história. A maior parte do jogo acontece em cenas de diálogo 2D que são demasiados distantes entre eles para que a história seja coerente.  A natureza errática das conversas é ainda mais prejudicada pela falta de foco da narrativa e durante grande parte do jogo é realmente dificil acompanhar o que está a acontecer e tudo parece irrelevante.

O enredo fraco, personagens que são apenas caricaturas e uma má abordagem ao combate acabam por criar por produto em que tudo somado é demasiado curto dados os padrões atuais dos JRPGs onde a inovação passou a ser quase um requito pois tudo o que veio antes já explorou os limites do género nos seus moldes mais clássicos. Se são fãs da saga irão sem duvida encontrar algo que gostem uma vez que continua a histõria e podem voltar a um mundo que conhecem, mas os fãs apenas do género e jogadores em geral podem evitar este jogo.

Tiago Roque

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