Análise: Human: Fall Flat

Human: Fall Flat tem como base a comédia física, onde um idiota desajeitado é forçado a resolver enigmas complexos de física, e tentam manter o controle de tudo. Human Fall Flat foge muito à jogabilidade clássica, insistindo em elementos cómicos que nem sempre funcionam em termos de jogabilidade mas que funcionam em termos cómicos.

O jogador joga como um pedaço de barro em forma humana chamado Bob numa variedade de ambientes abertos com o objectivo simples de alcançar a saída por qualquer meio necessário. Os níveis são amplos e divididos num punhado de áreas menores que se encaixam num tema mais abrangente. Os níveis acabam por ser aparentemente uma simples e directa viagem de A a B, mas é o percurso que é divertido e não o destino.

O controle sobre Bob é constantemente e intencionalmente solto e vacilante, pulando desajeitadamente e agitando os braços desajeitadamente muito ao estilo ragdoll. Embora o mundo pareça adequado para uma personagem de plataformas, mas o controlo que temos sobre a personagem é completamente diferente do que podemos esperar desse género. O nível introdutório do jogo actua como um tutorial e consegue ensinar os fundamentos básicos do movimento e a importância do uso dos membros gelatinosos da personagem.

Pressionando os botões de ombro esquerdo e direito, Bob levanta os braços para pegar em itens e agarrar-se a diferentes superfícies. Há um apego magnético instantâneo a qualquer coisa com que suas mãos entrem em contacto o que simplifica um pouco a jogabilidade mas que continua a proporcionar muitos momentos cómicos. Mas no geral os movimentos são confusos e apesar de os puzzles iniciais poderem envolver simplesmente cruzar de um lado a outro do desfiladeiro, com o tempo complicam mas por essa altura já o jogador deve dominar um pouco mais a jogabilidade do jogo. Há momentos em que este tipo de escalada é absolutamente necessário por isso convém dominar o funcionamento do jogo. É preciso manter a consciência do peso da personagem e em áreas posteriores começar a ter em conta veículos, circuitos eléctricos e outros aparelhos.

Visualmente o jogo tem um estilo minimalista, com superfícies rígidas e não texturizadas e cenários sem vida. As portas são vermelhas, os campos verdes e normalmente é muito simples perceber para onde temos de ir. A música clássica dá um tom sério que contrasta com o visualmente simples e ambiente cómico do resto.

Trazer outra pessoa para o jogo para o modo coop é sem sombra de duvida o ponto forte do jogo. De repente, cada movimento consegue ser ainda mais tolo, cada plano ficou mais abstracto, e cada ação parece mais engraçada. Jogar a solo é bom, mas com outro jogador é sem duvida uma comédia e que se consegue aguentar ao longo do tempo.

Human: Fall Flat é um jogo divertido, especialmente em coop, que oferece-se uma jogabilidade ragdoll diferente de tudo o que encontramos no género puzzle platformer em 3D e que tem sem duvida espaço para crescer e ser uma referencia, até porque baseia-se mais em ideias do que em bugs intencionais como jogos do género, oferecendo também um jogo muito mais a sério do que outros semelhantes como I Am Bread.

Tiago Roque

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