Análise: Cardpocalypse

Cardpocalypse é um jogo de cartas colecionáveis que presta homenagem a praticamente todos os jogos que fizeram parte da nossa infância ou adolescência e que para muitos continuam a fazer parte do nosso dia a dia. Não são raros os jogadores que jogavam Magic the Gathering na adolescência de não continuam a jogar ocasionalmente ou transitaram para a versão digital. Cardpocalypse é uma verdadeira homenagem a quem passou por isto e seja qual for o jogo que jogavam este é um jogo que vos levará de volta aos bons velhos tempos.

Cardpocalypse decorre em 1993 e segue uma criança que chega a uma nova escola. Jess adora um programa de TV chamado Mega Mutant Power Pets e tudo no jogo é centrado em torno disso. Todo o jogo vai buscar muita inspiração aos desenhos animados de sábado de manhã dos anos 90 e até mesmo a abertura do jogo tem um estilo de desenho animado da época. No primeiro dia na sua nova escola, Jess conhece algumas novas crianças que também adoram Mega Mutant Power Pets e estes novos amigos oferecem a Jess algumas cartas e é assim que o jogador aprende o básico do jogo. Infelizmente esta sessão de jogo acaba mal já que resulta em todo o jogo ser banido da escola.

Nos dias seguintes à medida que conhecemos outras crianças, vamos fazendo amizades, trocamos cartas e lutamos contra os nossos inimigos. A evolução da nossa carreira como jogadores é semelhante, pelo menos quando não tinhamos dinheiro ou conhecimentos para andar a comprar cartas singulares ou boosters no quiosque. Mecanicamente, o jogo funciona como uma versão simplificada de Magic the Gathering, mas enquanto que Magic the Gathering tem cinco cores, Cardopcalype tem quatro  e a escolha de comandante decidirá a cor do deck, algo que não acontece no Magic the Gatheing.

Mas as diferenças não não muitas. As habilidades têm nomes diferentes mas conseguimos ver perfeitamente qual é a inspiração em Magic the Gatheing. No fluxo do combate há também algumas diferenças. Cada campeão começa com 30 pontos de vida e tem uma habilidade e o objetivo é reduzir a vida do adversário a zero, mas é ao atingir metade da vida que tudo muda já que os adversários tornam-se mega, o que lhes dá uma energia extra e lhes concede uma habilidade e um passivo mais poderoso. Conforme vamos melhorando no jogo, também encontramos uma quantidade surpreendente de profundidade em Cardpocalypse.

 

 

Além de aprendermos que podemos modificar as cartas com marcador e fita cola por exemplo, perto do final do jogo, percebemos que conseguimos mudar as regras, fazendo com que todos comecem com mais recursos ou alterando o custo das cartas com uma certa habilidade. Fazer mudanças nas regras é muito importante para os combates principais do jogo e aprendemos cedo que não vamos longe se não aprendermos a tirar partida desta mecânica. Além disso temos também a vida escolar cotidiana do jogo, onde temos de fazer missões para os nossos colegas para desbloquear novas recompensas de cartas. Essas missões são um pouco repetitivas mas valem a pena pelas recompensas e a escrita consegue ser divertida também. O ambiente escolar fez-me lembrar Wintermoor Tactics Club, apesar de serem jogos diferentes e com estilo completamente diferente, foi possível fazer a ponte visto ser um jogo que joguei muito recentemente.

Cardpocalypse tem uma excelente premissa apoiada por uma jogabilidade que mistura ideias próprias com os conceitos dos jogos de cartas colecionáveis mais conhecidos. A sua permissa permite capturar o espírito da juventude e a jogabilidade mantém tudo identificavel. O diálogo está bem escritoe apesar de não termos aqui uma história super elaborada, temos um ambiente e enredo que nos mantêm entretidos do início ao fim. Cardpocalypse sofre de alguns problemas e algumas partes dele extremamente frustrantes. Alguns efeitos precisam de ser corrigidos com urgência, já que por vezes se mantêm além do turno em que atuam sem que isso fosse de esperar. Junto com o jogo vem também o pacote de final de jogo ‘Out of Time ’ que mostra Jess preso num loop temporal. Out of Time é um  conteúdo de final de jogo realmente interessante que nos dá um novo campeão, o “Campeão Neutro” exclusivo que é capaz de usar cartas de todas as cores. É um campeão fraco que uma árvore de atualização única que permite constrir a carta certa para o nosso estilo de jogo.

Cardpocalypse é um jogo quase obrigatório para os fãs do género, especialmente para aqueles que gostaremde jogos de cartas colecionáveis e jogos com história para um único jogador. Tem ideias e mecânicas interessantes mas é a familiaridade que transparece com os restantes jogos do género juntamente a uma boa narrativa que o elevam a excelente.

Tiago Roque

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