Análise: Kingsman: O Círculo Dourado

O primeiro Kingsman foi uma agradável surpresa. Um filme de espiões que deixou de lado o recente maior realismo e tom mais sério dos filmes 007 para algo que por um lado relembra os filmes dessa saga da era Roger Moore, mas indo ainda mais longe nas suas cenas de ação. Com um charme próprio que assenta muito na elegância britânica, o primeiro Kingsman foi uma lufada de ar fresco no género que apesar de continuar a oferecer filmes excelentes como por exemplo Skyfall, deixou um espaço vazio para filmes com uma componente de entretenimento mais marcada.

Depois de Harry Hart, interpretado por Colin Firth ter morrido no ultimo filme e a personagem principal, Garry “Eggsy” Unwin, interpretado por Taron Egerton, ter derrotado o vilão do filme anterior tudo parece voltar ao normal à Kingsman, a agência secreta de espionagem britânica. O Círculo Dourado começa com uma cena de ação entre Eggsy e uma personagem do filme anterior que está de volta. Logo nesta cena vemos um dos pontos fortes mas também um dos maiores problemas do filme. Por um lado as cenas de ação subiram em termos de espectacularidade, todas elas são exageradas e quase sobre humanas. Isto em si não é um problema, mesmo o filme anterior era exagerado, mas se o filme escolhe seguir essa direcção então só tem que se comprometer com ela e pronto. É uma direcção completamente válida. O problema de Kingsman é que todas estas cenas se baseiam em CGI e isso nota-se claramente.

Muitos filmes de ação conseguem actualmente passar a ideia de um take único durante quase toda a cena. Normalmente existe algum trabalho de CGI para conseguir esta ilusão e filmes como John Wick, a sua sequela e Atomic Blonde conseguiram atingir um grau de perfeição que não se conseguem notar quaisquer cortes e o CGI utilizado para criar a ilusão é quase imperceptível. Em O Círculo Dourado por outro lado a ilusão não funciona e isso faz com que o espectador não acredite realmente no que está a ver. Em John Wick eu consegui acreditar no que via e o trabalho de Keanu Reeves é louvável, aqui em quase todas as cenas de ação a ideia que fica é quase a de estarmos a ver uma cutscene de videojogo dada a quantidade de CGI que estamos a ver e a forma como este não se integra com o resto que é filmado.

Outro problema de Kingsman: O Círculo Dourado é a estrutura da narrativa. Julianne Moore enquanto Poppy a vilã do filme faz um bom trabalho, mas ao ficar todo o filme sem um confronto directo sequer com as nossas personagens há um distanciamento que não passa a ideia de perigo eminente. Além disso  A história em si não é horrível. Dentro do género de filme é divertida até. Poppy comanda um Cartel de droga escondido no meio de uma floresta. Aqui, Poppy criou uma série de edificios que lembram os anos 50 americanos e é também aqui que comanda a sua operação e tem Elton John como refém. Diga-se que Elton John tem talvez  os momentos mais divertidos do filme.

Kingsman: O Círculo Dourado é um filme que se consegue ver de relance e perceber a sua história. Toda a interpretação é boa, mas o filme tem falhas de ritmo e tom que o impedem de ser bom e chegar até perto do seu antecessor. Mesmo a introdução da agência de espionagem americana que não entrar em detalhe, parece entrar mais até para preparar uma sequela do que para participar neste filme. Channing Tatum por exemplo tem bastante pouco tempo em ecrã e parece apenas estar a preparar o seu papel para  o terceiro filme.

Tiago Roque

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