Análise: Nintendo Classic Mini: Super Nintendo Entertainment System

Depois do enorme sucesso que foi o regresso da primeira consola da Nintendo em formato mini e depois do fim da sua produção, poucos acreditavam já numa segunda aventura neste tipo de produto. Apesar das reticencias da Nintendo que se notaram na escassez de unidades produzidas, a realidade é que a primeira Nintendo Classic Mini foi um sucesso gigantesco e que graças às poucas unidades produzidas pela Nintendo se tornou um produto raro e que foi aproveitada pelos scalpers para facturar algum dinheiro fácil. Foi portanto com alguma surpresa já que a Nintendo anunciou o regresso a esta linha de produto, desta vez com mais força, com mais unidades e até o regresso à produção do modelo anterior.

Não há muito de diferente relativamente à consola anterior, muito do interior é certamente reaproveitado e os menus mantêm a mesma estética. Por fora obviamente o que temos agora é uma versão mini da clássica Super Nintendo, com as cores europeias a chegarem a Portugal. O modelo americano é bastante diferente visualmente, imitando o modelo da Super Nintendo que estes receberam lá na altura do lançamento original da consola que na Europa ficou era conhecida como Super Famicom, mas que todos tratavam por Super Nintendo na mesma, até porque a anterior era apenas a Nintendo para todos os jogadores.

Desta vez a Nintendo aumentou um pouco o preço de forma a incluir um segundo comando. Isto na minha humilde opinião deve-se apenas às prováveis fracas vendas do comando vendido em separado na anterior NES Mini. O preço era alto para o produto e começaram a ser lançadas versões não oficiais a preços realmente baixos. Quando digo baixos digo mesmo por menos de 5€. Em termos do pacote em si este é conjunto bem mais apelativo que o anterior. Dentro da caixa vem a consola, dois comandos, um cabo USB e um cabo HDMI. Quase tudo o que precisamos está presente na caixa, faltando apenas o adaptador USB que a lei Europeia desencorajou de estar incluído e que tem apenas prejudicado o consumidor europeu. É a directiva europeia mais parva que saiu da cabeça daquela gente.

A SNES Mini é uma adorável recriação da original. Se a Nintendo continuar a lançar esta linha de produto a minha estante de consolas vai certamente ficar bem mais bonita. O único ponto que não acho que funcione bem é a ligação dos comandos. A consola tem na frente uma pequena tampa que tapa a entrada dos comandos e que a torna mais semelhante à consola original. No entanto faz a consola parecer ter uma qualidade inferior. É apenas uma tampa que imita a entrada dos comandos originais. Pessoalmente preferir que a Nintendo tivesse recriado as ligações para que os comandos realmente entrassem desta forma e não ter uma tampa que lhe dá o mesmo aspecto, até porque na minha casa a consola irá ficar bastante tempo ligada.

E agora chegamos ao mais importante. Os jogos.

Os jogos incluídos são os seguintes:

    • Contra III: The Alien Wars 
    • Donkey Kong Country 
    • Final Fantasy VI
    • F-Zero 
    • Kirby Super Star
    • The Legend of Zelda: A Link to the Past 
    • Mega Man X 
    • Secret of Mana 
    • Star Fox 
    • Star Fox 2 
    • Super Ghouls ‘n Ghosts 
    • Super Mario Kart
    • Super Mario RPG: Legend of the Seven Stars 
    • Super Mario World 
    • Super Mario World 2: Yoshi’s Island
    • Super Metroid
    • EarthBound 
    • Kirby’s Dream Course
    • Street Fighter II Turbo: Hyper Fighting 
    • Super Castlevania IV 
    • Super Punch-Out!!

Obviamente existem alguns jogos que gostaríamos de adicionar, mas sinceramente desta vez não há um único que não importaria de retirar. Todos eles são quase obrigatórios num produto deste género e tudo o resto poderia ser obviamente adicionado, mas certamente algum hack irá tornar isso possível.

A verdadeira surpresa é sem duvida a presença de Star Fox 2. Este foi o anuncio surpresa e aquele que mais curiosidade despertou nos jogadores. Estamos a falar de um jogo que não foi lançado na altura e que é a primeira vez que é lançado. Isto para uma consola morta à tanto tempo é realmente fenomenal. O jogo em si é o bom, muito bom até se nos colocarmos na pele de um jogador da altura. Tanto Star Fox como a sua exclusiva sequela não correm bem pelos padrões atuais. A Super Nintendo não foi feita para gráficos 3D e o primeiro Star Fox é mais uma tech demo do que um jogo fenomenal clássico. É bom sim, mas pelos padrões atuais é bastante penoso de jogar na realidade. Star Fox 2 é apesar de tudo um produto superior, mas que não tem o impacto nostálgico do primeiro.

No que toca à restante lista de jogos há títulos para todos os gostos, com os melhores jogos de Super Mario da consola, o fantástico Donkey Kong Country e os melhores jogos de Kirby. Contra está também de volta com o terceiro jogo da série. A maior omissão da primeira Nintendo Classic Mini foi na minha opinião o primeiro Contra e foi esse o primeiro jogo que tentei inserir à força na consola. O terceiro é mais do mesmo, mas mais do mesmo no melhor sentido possível. É um jogo super divertido para jogar a solo ou coop. Super Metroid e A Link to the Past são as jóias a coroa, são o melhor a Super Nintendo nos deu na altura e continuam a ser jogos fenomenais pelos padrões atuais.

A Nintendo Classic Mini: Super Nintendo Entertainment System é uma peça de coleccionismo e nostalgia retro que irá agradar aos fãs e a quem quer uma peça da história dos videojogo. Maior parte dos jogos incluídos nesta e na anterior continuam a ser bons jogos pelos padrões atuais, são intemporais e vão continuar a ser. Podem pegar num Raspberry pi e jogar todos estes jogos mais ou menos da mesmo forma, mas o produto da Nintendo em si é tão bom e tão perto do sentimento do original que não posso deixar de o recomendar. Joguem na mesma num RetroPie se quiserem, mas não que não seja essa a razão de não comprar esta consola.

Tiago Roque

Leave A Comment